DIREITOS NA INTERNET

Plataformas terão que exigir autorização judicial para influenciadores mirins faturarem nas redes

Nova regra do ECA Digital passa a valer em junho e amplia proteção de crianças e adolescentes na produção de conteúdo online
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial | Folha Estado

O crescimento de crianças e adolescentes nas redes sociais como criadores de conteúdo trouxe também um alerta para autoridades brasileiras. A partir de 16 de junho, plataformas digitais terão que exigir autorização judicial para permitir a monetização e o impulsionamento de conteúdos produzidos por influenciadores mirins.

A medida faz parte da regulamentação do ECA Digital, prevista no Decreto nº 12.880, que regulamenta a Lei nº 15.211/2025, e foi debatida durante o Policy Forum Influenciadores Mirins, realizado em Brasília pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio). O encontro reuniu representantes do Governo Federal, especialistas, plataformas digitais, pesquisadores e integrantes da sociedade civil.

Na prática, a nova regra determina que crianças e adolescentes só poderão exercer atividades remuneradas no ambiente digital mediante autorização da Justiça, assim como já acontece em trabalhos artísticos na televisão, publicidade e cinema.

Segundo o diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital da Secretaria Nacional de Direitos Digitais, Ricardo Lins Horta, o objetivo é adaptar ao universo digital uma proteção já prevista na legislação brasileira.

Leia Também:  1º torneio feminino de futsal “Por Elas” promete movimentar Rondonópolis

“O decreto estabeleceu prazo de 90 dias para implementação da obrigatoriedade. O tema vem sendo discutido entre órgãos públicos e plataformas para definir procedimentos técnicos e garantir a proteção integral de crianças e adolescentes”, explicou.

A regulamentação pretende atingir principalmente conteúdos que geram lucro de forma habitual por meio de publicidade, campanhas patrocinadas, monetização em vídeos e impulsionamento pago nas plataformas.

O debate também levantou um desafio importante: como proteger crianças e adolescentes sem inviabilizar a economia criativa digital, setor que cresce rapidamente no Brasil.

Durante o fórum, representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério Público, Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Google Brasil/YouTube, pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade de Brasília (UnB), além de organizações como SaferNet, Instituto Alana e Childhood Brasil, discutiram formas de equilibrar segurança, direitos fundamentais e produção de conteúdo.

Especialistas alertam que a exposição excessiva de menores na internet pode trazer impactos emocionais, riscos à privacidade e exploração comercial indevida da imagem de crianças e adolescentes.

A expectativa é que as plataformas passem a criar mecanismos específicos para validar autorizações judiciais e monitorar conteúdos monetizados envolvendo menores de idade.

Leia Também:  MEC defende equidade racial em Fórum da Undime-RS

Com a nova regulamentação, o Brasil amplia o debate sobre responsabilidade digital e proteção infantil em um cenário onde cada vez mais crianças transformam redes sociais em ambiente de trabalho e fonte de renda familiar.

Deixe um comentário

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

DIREITOS NA INTERNET

Plataformas terão que exigir autorização judicial para influenciadores mirins faturarem nas redes

Nova regra do ECA Digital passa a valer em junho e amplia proteção de crianças e adolescentes na produção de conteúdo online
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial | Folha Estado

Deixe um comentário

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade