Quando se fala em baunilha, a maioria das pessoas logo pensa em bolos, sobremesas, cosméticos, perfumes ou velas aromáticas. O que poucos imaginam é que a especiaria tem origem em uma orquídea trepadeira e passa por um longo processo de produção antes de chegar ao consumidor.
Em Pedra Preta, a Fazenda Santa Maria do Jurigue vem chamando atenção por apostar no cultivo da baunilha, considerada uma das especiarias mais valorizadas do mundo. A produção é coordenada pelo gerente de produção agrícola Ermeson Ramos Nascimento, que acompanha todas as etapas do cultivo, desde a polinização até a colheita das favas.
A iniciativa faz parte da Vanilla Beija-Flor do Brasil, marca mato-grossense criada a partir de um projeto familiar que decidiu investir na produção da especiaria no coração do cerrado brasileiro. (Beija-Flor Vanilla)
De acordo com Ermeson, a ideia surgiu após os proprietários conhecerem regiões produtoras de baunilha em outros países e identificarem potencial para desenvolver a cultura em Mato Grosso.
“A ideia de surgir a baunilha aqui em Pedra Preta é que os meus patrões, viajando nos países que são os grandes produtores de baunilha, identificaram um potencial grande para a gente montar e desenvolver essa cultura aqui na região e também no Brasil”, explicou.
A baunilha pertence ao gênero Vanilla, da família das orquídeas. A espécie mais valorizada comercialmente é a Vanilla planifolia, cultivada também na fazenda de Pedra Preta. A planta é nativa do México e de regiões da América Central e se tornou uma das especiarias mais valorizadas do mercado mundial devido à complexidade do cultivo e à intensa demanda da indústria alimentícia, cosmética e de fragrâncias.
Produção exige trabalho artesanal
Diferentemente de muitas culturas agrícolas mecanizadas, a produção da baunilha depende de um trabalho minucioso. A polinização das flores é realizada manualmente, uma a uma, exigindo precisão e atenção dos trabalhadores. O mesmo acontece durante a colheita das vagens.
Segundo Ermeson, após a polinização, a planta leva entre oito e nove meses para atingir o ponto ideal de colheita.
“O momento ideal para colher é porque, depois que poliniza, nove meses depois ela está pronta e começa a ficar madura para a colheita. Ela começa a mudar um pouco a coloração das vagens e, se passar do ponto, ela abre também. Então esse é o momento certo para colher”, explicou.
Durante a visita à propriedade, foi possível observar que cada fruto é acompanhado individualmente. O cuidado com o ponto de maturação influencia diretamente na qualidade final da baunilha e no valor agregado do produto.
Além da colheita, as favas passam por etapas de seleção, cura e beneficiamento, processos fundamentais para desenvolver o aroma característico da especiaria.
Surpresa para quem descobre a produção em Mato Grosso
Apesar de Mato Grosso ser reconhecido nacionalmente pela produção de grãos, algodão e pecuária, a presença da baunilha ainda surpreende visitantes.
“Quando as pessoas conhecem essa plantação de baunilha, muitas ficam surpresas. Algumas sabem que existe produção no Brasil, mas não imaginam que tem aqui no Mato Grosso. Quando a gente fala que é aqui pertinho, elas se surpreendem bastante”, contou o gerente.
Novo projeto aposta no cacau
Além da baunilha, a fazenda também iniciou um projeto voltado à produção de cacau, ampliando a diversificação agrícola da propriedade.
Segundo Ermeson, a área inicial conta com 14 hectares e aproximadamente 10 mil plantas.
“Começamos com pouco, mas a ideia é ampliar ainda este ano. Para a nossa região é uma novidade. Mais ao norte do Mato Grosso já existe produção de cacau, mas aqui na região sul ainda não é uma cultura comum”, afirmou.
A expectativa é que as primeiras colheitas ocorram dentro de aproximadamente dois anos e meio.
“Essas variedades produzem mais rápido. A estimativa é que em dois anos e meio a gente já tenha nossa produção aqui”, explicou.
Do campo para o cotidiano
Presente em receitas, sorvetes, chocolates, bebidas, perfumes, cosméticos e produtos aromáticos, a baunilha percorre um longo caminho antes de chegar ao consumidor.
Durante a visita em Pedra Preta, foi possível conhecer de perto essa produção na época da colheita.
Em um estado reconhecido pela força da soja, do milho e da pecuária, a baunilha surge como exemplo de diversificação e inovação no campo. O cultivo, ainda pouco conhecido no sul de Mato Grosso, demonstra como novas culturas podem ganhar espaço na região, agregando valor à produção agrícola e abrindo oportunidades em mercados especializados dentro e fora do país.




















