RISCO ÀS EXPORTAÇÕES

UE revê listas de produtos, mas prazo da carne continua correndo

A União Europeia atualizou nesta segunda-feira (13.07) as regras do seu Regulamento Antidesmatamento (EUDR), mas o alívio com a exclusão de alguns produtos da lista de restrições foi ofuscado por um impasse sanitário mais urgente: a suspensão, prevista para 3 de setembro, do acesso brasileiro ao mercado europeu para carnes bovinas. Enquanto tenta negociar critérios de rastreabilidade, o governo federal estuda uma medida drástica — a proibição de antimicrobianos na pecuária — como última cartada para reverter o bloqueio.

O pacote de simplificação do EUDR, apresentado pela Comissão Europeia, traz mudanças importantes: a partir de 30 de dezembro de 2027, itens como café solúvel e derivados de óleo de palma entram no escopo, enquanto couros, peles bovinas e sementes de soja foram retirados.

No entanto, a exigência europeia sobre a comprovação de não uso de antimicrobianos — substâncias usadas em medicamentos e melhoradores de desempenho — permanece como o principal gargalo. A UE exige o controle do ciclo de vida completo do animal, o que o governo brasileiro considera inviável para a pecuária extensiva, onde um bovino passa por até três fazendas diferentes até o abate.

Leia Também:  MP do cacau pode gerar perdas de até R$ 222 milhões por ano e acende alerta na cadeia produtiva, aponta estudo

O governo tenta, sem sucesso até agora, um prazo de transição. Para sinalizar compromisso com as exigências de Bruxelas, Brasília cogita banir o uso de substâncias como a monensina, um melhorador de desempenho que ajuda o gado a ganhar peso mais rápido. A proposta gera resistência intensa no campo.

Setores técnicos alertam que a proibição elevaria os custos da cadeia em cerca de R$ 2 bilhões, além de ameaçar o padrão exigido pelo “Boi China”. Como o mercado chinês — que responde por mais da metade das exportações brasileiras — exige animais abatidos com, no máximo, 30 meses, o uso desses melhoradores é essencial para a eficiência alimentar. Em 2025, o Brasil enviou quase 1,7 milhão de toneladas de carne para a China, gerando uma receita de R$ 44,97 bilhões, enquanto as exportações para a União Europeia somaram 128 mil toneladas, com faturamento de R$ 5,11 bilhões.

O debate sobre a proibição dos insumos divide o governo e o setor privado. Enquanto diplomatas buscam uma sinalização positiva para a UE, pecuaristas e entidades de classe condenam a possibilidade de “importar” uma regra técnica de um mercado específico para toda a pecuária nacional.

Leia Também:  El Niño 2026: saiba detalhes sobre o monitoramento, previsões e os possíveis impactos do fenômeno no Brasil

Leia Também: Brasil amplia mercados pelo mundo graças a investimentos em sustentabilidade e tecnologia

 

A corrida contra o tempo é ditada pelo calendário europeu. O governo brasileiro precisa avançar nas negociações ainda em julho, já que o mês de agosto é marcado por férias coletivas na Europa, o que paralisaria as tratativas e impediria uma solução antes da data limite de setembro. O Planalto, agora, avalia se o custo de uma eventual inflação interna na carne e o aumento nos custos de produção no campo compensam a manutenção do acesso ao mercado europeu.

Deixe um comentário

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

RISCO ÀS EXPORTAÇÕES

UE revê listas de produtos, mas prazo da carne continua correndo

Deixe um comentário

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade