O mercado de trigo apresentou recuperação moderada em abril, sustentado pelo cenário internacional mais apertado e pela menor disponibilidade interna no período de entressafra. Apesar do suporte vindo das bolsas internacionais, a valorização do real frente ao dólar limitou repasses mais intensos ao produtor brasileiro, segundo análise do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
No mercado doméstico, os preços do trigo encerraram abril em R$ 66 por saca de 60 kg no Paraná, mantendo trajetória de recuperação ao longo do mês, embora ainda abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2025. A oferta restrita no mercado interno deu sustentação às cotações, enquanto a formação de preços passou a ser guiada principalmente pela paridade de importação.
De acordo com o Itaú BBA, o trigo importado segue como principal referência para a indústria brasileira, especialmente em um ambiente de baixa disponibilidade doméstica. Ainda assim, o câmbio mais favorável às importações reduziu a intensidade das altas no mercado nacional.
No cenário internacional, o trigo operou com volatilidade e viés altista ao longo de abril. O contrato do trigo soft negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou o dia 8 de maio em US$ 6,07 por bushel, patamar 18% superior ao observado há um ano.
As cotações internacionais foram sustentadas principalmente por preocupações climáticas em importantes regiões produtoras, como Austrália, China e países do Hemisfério Norte. Nos Estados Unidos, o baixo desempenho das lavouras de trigo de inverno e atrasos no plantio do trigo de primavera aumentaram as incertezas sobre a oferta global.
Margens apertadas devem limitar investimentos na próxima safra
Para a safra 2026/27, o Itaú BBA projeta um ambiente mais desafiador para os produtores brasileiros. Apesar da recente recuperação dos preços, as margens continuam apertadas, o que tende a limitar investimentos e reduzir novamente a área plantada no país.
O relatório destaca que o trigo enfrenta perda de competitividade frente a outras culturas, levando produtores a reduzirem exposição ao cereal. Além disso, o possível avanço do fenômeno El Niño adiciona novas incertezas ao mercado.
Segundo a análise, o El Niño pode diminuir os riscos de geadas severas durante o inverno, mas, por outro lado, aumenta a probabilidade de excesso de chuvas no período de colheita. Esse cenário pode comprometer a qualidade dos grãos e pressionar prêmios pagos ao produtor brasileiro.
Outro fator de preocupação está relacionado aos custos de produção. O conflito no Oriente Médio continua pressionando os preços dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados, deteriorando a relação de troca e elevando a cautela no planejamento da próxima safra.
Oferta global maior pode limitar avanços nas cotações
No balanço global de oferta e demanda, a produção mundial de trigo deve atingir 842 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 5% em relação ao ciclo anterior. O crescimento é puxado principalmente pela União Europeia, Rússia, Canadá e Argentina.
No Brasil, porém, a produção deve ficar próxima de 8 milhões de toneladas, enquanto o país continuará dependente de importações superiores a 6,7 milhões de toneladas para abastecer o mercado interno.
Mesmo com o suporte climático no exterior, o mercado brasileiro seguirá sensível ao comportamento do câmbio e à competitividade do trigo importado nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio



















