A sexta-feira (27/03) foi marcada por mobilizações da Polícia Rodoviária Federal em todo o país. Em Mato Grosso, o ato aconteceu na BR-364, em Alto Garças, e reuniu agentes da região sul em defesa de uma pauta que tem ganhado força dentro da categoria: a criação de um fundo abastecido com recursos do crime organizado.
A proposta, chamada de Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), prevê que valores apreendidos em operações policiais sejam revertidos diretamente para o fortalecimento das forças de segurança. A ideia é simples, mas estratégica: transformar o dinheiro do crime em investimento para combatê-lo.
Entre as prioridades apontadas pelos policiais estão a modernização de equipamentos, a troca de viaturas, o fortalecimento da capacitação profissional e a ampliação do efetivo, considerada urgente diante da demanda crescente nas rodovias federais.
O movimento ocorre em meio a discussões em Brasília e é tratado como uma forma de pressionar o Governo Federal a avançar na proposta. Apesar do tom de cobrança, a mobilização foi pacífica e não impactou os atendimentos nas rodovias.
Rodovias como rota do crime
Para a PRF, o debate vai além da estrutura interna. As rodovias federais são apontadas como corredores logísticos utilizados por organizações criminosas para o transporte de drogas, armas e outros produtos ilegais, o que exige atuação constante e investimento contínuo.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Entre 2023 e 2025, mais de 22,8 milhões de veículos foram fiscalizados em todo o país, com cerca de 23,5 milhões de pessoas abordadas.
No mesmo período, as operações resultaram na apreensão de mais de 2,1 mil toneladas de maconha e 124 toneladas de cocaína. Também foram realizados cerca de 8,6 milhões de testes de alcoolemia, além da prisão de mais de 123 mil pessoas e da recuperação de aproximadamente 23 mil veículos com registro de roubo ou furto.
Pressão deve continuar
A categoria afirma que seguirá acompanhando as tratativas sobre o fundo e não descarta novas mobilizações. Para os policiais, o momento é decisivo para garantir uma fonte estável de recursos e ampliar a capacidade de enfrentamento ao crime organizado no país.
















