O governo federal intensificou, nesta quarta-feira (18), uma ofensiva para evitar uma possível greve nacional dos caminhoneiros, em meio à insatisfação da categoria com a alta do diesel. Entre as medidas, está o reforço na fiscalização do cumprimento da tabela de piso mínimo do frete, considerada uma das principais demandas do setor.
O anúncio será feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que deve detalhar ações voltadas a aumentar a efetividade das regras já existentes. A iniciativa inclui também a responsabilização de empresas e contratantes que descumprirem de forma recorrente os valores mínimos estabelecidos.
Segundo o ministro, o objetivo é corrigir falhas na aplicação da política de frete. “A ideia é sair de um modelo de baixa efetividade para garantir, de fato, o cumprimento do preço mínimo, assegurando remuneração justa ao caminhoneiro e concorrência equilibrada no setor”, afirmou.
A tabela do frete foi criada após a greve de 2018 e define valores mínimos a serem pagos, levando em conta fatores como distância percorrida, tipo de carga e número de eixos do veículo. No entanto, representantes da categoria alegam que a fiscalização insuficiente tem permitido o descumprimento frequente da norma.
Pressão com alta do diesel
A movimentação do governo ocorre em um momento de crescente pressão da categoria, impulsionada principalmente pelo aumento no preço do diesel, que impacta diretamente a renda dos caminhoneiros, sobretudo os autônomos.
Como resposta, o governo também intensificou a fiscalização no setor de combustíveis. De acordo com o Ministério da Justiça, uma força-tarefa realizou inspeções em centenas de postos, distribuidoras e até refinarias em diversos estados, com o objetivo de coibir abusos e irregularidades na formação de preços.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da participação da população na denúncia de práticas irregulares, por meio de órgãos de defesa do consumidor.
Divergência sobre paralisação
Apesar da mobilização do setor, o vice-presidente Geraldo Alckmin minimizou o risco de paralisação, afirmando que, no entendimento do governo, não há fundamentos suficientes para uma greve neste momento.
Já o Ministério da Justiça evitou antecipar medidas mais duras em caso de bloqueios nas estradas. O titular da pasta, Wellington César Lima e Silva, afirmou que não é prudente trabalhar com cenários hipotéticos.
Cenário de alerta
Nos bastidores, no entanto, há preocupação com o impacto que uma eventual paralisação pode causar, especialmente sobre o abastecimento e a inflação. O transporte rodoviário responde pela maior parte da logística nacional, o que amplia o potencial de efeitos em cadeia na economia.
Diante disso, o governo aposta na combinação entre fiscalização mais rigorosa, controle de preços e diálogo com a categoria para evitar que a ameaça de greve se concretize nos próximos dias.
























