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ocê sabe tudo o que é feito para que 180 questões cheguem até você em dois domingos por ano? Nos bastidores da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), responsável pela aplicação da prova, promove um longo e rigoroso processo de produção, que vai desde a seleção dos itens a serem respondidos pelos candidatos até o processo de correção.
O primeiro passo é a preparação da prova que será aplicada no ano, que começa em abril. Todo o material que será utilizado fica armazenado no Banco Nacional de Itens, onde o Inep guarda todas as questões, já aprovadas por professores especialistas nas áreas do conhecimento, que serão usadas em avaliações futuras. Para garantir que esse banco seja continuamente alimentado por novos itens, o instituto lança editais periódicos para selecionar e capacitar professores e especialista externos responsáveis por redigir essas questões. Após serem elaboradas, as perguntas passam por análises e podem ser aplicadas em testes piloto sigilosos com estudantes.
A montagem da prova ocorre em colaboração com uma equipe de professores de todo o Brasil, que atuam em conjunto com pesquisadores do Inep. Para evitar vazamentos e aumentar a segurança, esse processo ocorre dentro da autarquia, no Ambiente Físico Integrado Seguro – Afis –, uma sala-cofre onde apenas a equipe autorizada pode entrar. Os computadores utilizados não possuem acesso à internet e é proibido entrar com eletrônicos, celulares, pen drives, cadernos e bolsas.
Professores e pesquisadores empregam critérios estabelecidos pelo Inep para o atendimento das habilidades presentes nas matrizes de matemática, ciências humanas e da natureza e linguagens. Nesse momento, eles também buscam variar a abordagem de questões de uma edição para a outra, a fim de evitar repetições.
Finalizada a seleção, o Inep criptografa as questões e as insere em um HD junto com o tema da redação, que é transportado por um servidor do órgão, com escolta da Polícia Federal, até a gráfica de segurança máxima, onde elas serão diagramadas e impressas. Os pacotes com os exames já saem da gráfica lacrados e separados por sala e escola de aplicação.
Após o período de inscrições, no qual as provas ainda estão em preparação, o Inep também realiza paralelamente a logística para aplicação. Nesse período, a autarquia faz o ensalamento, que nada mais é do que fazer a distribuição dos inscritos por local de aplicação, com prioridades para que eles façam as provas o mais perto possível de suas casas. O local de prova é divulgado no Cartão de Confirmação de Inscrição, que fica disponível na Página do Participante algumas semanas antes da aplicação.
Mais de 500 mil pessoas estão diretamente envolvidas na aplicação do Enem, que passam por capacitação profissional, inclusive os aplicadores que fazem os atendimentos especializados, como os ledores, transcritores, intérpretes de libras e guias-intérpretes de surdos-cegos. A infraestrutura para realização das provas ainda conta com bombeiros, policiais e outros profissionais de segurança. Além das provas físicas, o Enem também disponibiliza uma videoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras), traduzida por uma equipe do Inep que conta com a participação de pessoas surdas e de especialistas em Libras. O material é gravado dentro de um estúdio montado no “Ambiente Seguro”.
A prova é dividida em dois domingos, um para as disciplinas de linguagens, ciências humanas e redação, e outro para matemática e ciências da natureza. Os portões são abertos às 12h e fechados às 13h, com o início da aplicação às 13h30. No primeiro dia, os candidatos têm 5h30 para responder aos itens, com término às 19h, enquanto no segundo dia o tempo diminui para 5h, acabando às 18h30. Os horários são sempre o de Brasília, por isso quem mora em estados com fuso horário diferentes precisa se ajustar. No dia, é necessário levar documento oficial com foto, caneta esferográfica preta, lanches e água.
O Enem aplica um sistema de correção chamado de teoria resposta ao item (TRI), que estima a dificuldade das questões e avalia o conhecimento dos candidatos, possibilitando que pessoas com o mesmo número de acertos tenham notas diferentes. Isso acontece porque a TRI leva em consideração a coerência dos participantes na marcação das respostas, ou seja, é esperado que um estudante que acerta questões muito difíceis, também acertará as muito fáceis. Se isso não acontecer, o sistema pode entender que ele chutou e, por isso, terá uma pontuação menor do que aqueles que foram coerentes.
As folhas de resposta são digitalizadas e lidas por computadores para registrar apenas as alternativas preenchidas em caneta preta, sem rasura. Já a redação é avaliada por dois corretores independentes, com base em cinco competências cujas pontuações variam de 0 a 200, totalizando até mil pontos. A nota final da redação é a média aritmética das pontuações dadas pelos corretores.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep
Fonte: Ministério da Educação






















