Quando pensamos em Mato Grosso, quase sempre pensamos em agricultura.
Soja, milho, algodão, pecuária.
Eu poderia falar sobre muitas dessas culturas, mas existe algo que me surpreendeu recentemente: no Mato Grosso também existe produção de baunilha.
E isso me fez olhar para a confeitaria de uma forma diferente. Não apenas como confeiteira, mas como alguém que vive em um dos grandes celeiros do país. É perceber que, antes de chegar à cozinha, muitos ingredientes da confeitaria começam na terra, no trabalho do agricultor e na delicadeza da natureza.
Para quem não sabe, a baunilha vem de uma orquídea do gênero Vanilla. Ela é originária do México e hoje é cultivada em diferentes regiões do mundo, sempre com grande valor gastronômico.
Foi uma surpresa descobrir que, aqui em Mato Grosso, na Fazenda Santa Maria do Jurigue, em Pedra Preta, existe o cultivo da variedade Vanilla planifolia, considerada uma das mais clássicas e valorizadas na gastronomia.
Confesso que isso fez um verdadeiro “boom” na minha cabeça.
Porque quando pensamos ou falamos de Mato Grosso, raramente pensamos em confeitaria. Mas a produção de baunilha mostra que o campo e a cozinha podem estar muito mais conectados do que imaginamos.
Outro detalhe fascinante é como essa planta se reproduz.
No México, a baunilha é polinizada naturalmente por abelhas do gênero Melipona, espécies nativas daquela região. Fora desse ambiente, porém, a polinização não acontece da mesma forma.
Por isso, em muitos lugares do mundo, o processo precisa ser feito manualmente.
Na Fazenda Santa Maria do Jurigue, em Pedra Preta, esse trabalho cuidadoso é realizado pelos produtores Ermeson e Gislaine, que estão à frente da produção.
Cada flor precisa ser polinizada manualmente, uma a uma. É um processo delicado que exige conhecimento, paciência e dedicação.
E há algo que me encanta ainda mais nessa história: no México, sem os polinizadores naturais, as abelhas, simplesmente não existiria a produção de baunilha como ela acontece na natureza.
Como alguém que tem uma ligação muito forte com as abelhas, isso me toca profundamente.
Preservar os polinizadores significa preservar alimentos, biodiversidade e também ingredientes preciosos da gastronomia.
Porque, no fim das contas, a baunilha não nasce apenas de uma flor.
Ela nasce do encontro entre a terra que produz, a natureza que permite a vida da planta, o agricultor que cuida e a confeitaria que transforma tudo isso em sabor até chegar à nossa mesa.
E para celebrar esse ingrediente tão especial, deixo aqui uma sugestão simples e deliciosa: um recheio cremoso de baunilha, perfeito para tortas, pavês ou outras sobremesas.
Recheio cremoso de baunilha
Uma receita prática e aromática para valorizar o sabor da baunilha na confeitaria.
Ingredientes
• 200 g de creme de leite (17% de gordura)
• 200 g de leite condensado (4% de gordura)
• 1 colher (chá) de pasta de baunilha
• 2 colheres (sopa) de amido de milho
• 1 colher (sopa) de manteiga sem sal
• 1 pitada de sal
Modo de preparo
Em uma panela, misture o creme de leite, o leite condensado e o amido de milho até dissolver bem.
Leve ao fogo médio, mexendo sempre para evitar grumos.
Quando começar a engrossar, acrescente a pasta de baunilha, a manteiga sem sal e a pitada de sal, continuando a mexer até obter um creme liso e cremoso.
Depois de pronto, transfira o creme para uma vasilha e cubra com plástico filme em contato com a superfície para evitar a formação de película.
Depois de frio, o recheio pode ser utilizado em tortas, pavês ou outras sobremesas.
Por Karla Alayara – Confeitaria Profissional, fundadora da Mel Bolos, Professora de Confeitaria e Bacharel em Administração, atuando no mercado desde 2018.
















