A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta segunda-feira (06/04) um pacote de medidas para reforçar o controle e a segurança no uso de medicamentos injetáveis conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados no tratamento da obesidade e diabetes.
A decisão ocorre após a identificação de um crescimento considerado irregular na manipulação desses produtos, que têm como base substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida.
Entre as ações anunciadas, estão a revisão das regras atuais para manipulação desses medicamentos, a suspensão do funcionamento de farmácias com irregularidades e a intensificação de fiscalizações em empresas importadoras de insumos farmacêuticos.
A Anvisa também informou que irá atuar em parceria com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, além de firmar cooperação com agências internacionais e entidades médicas, criando um grupo de trabalho para acompanhar o cenário.
Irregularidades acendem alerta
De acordo com dados da própria agência, somente no segundo semestre de 2025 foram importados mais de 100 kg de insumos para esses medicamentos, quantidade suficiente para produzir cerca de 20 milhões de doses, número considerado incompatível com a demanda nacional.
Já em 2026, inspeções realizadas em farmácias de manipulação e importadoras resultaram em oito interdições por falhas técnicas e ausência de controle de qualidade.
Entre os principais riscos identificados estão problemas de esterilização, uso de insumos sem procedência comprovada e produção sem demanda real, fatores que podem comprometer diretamente a saúde dos pacientes.
Controle mais rigoroso
A agência destacou que a prioridade é garantir a qualidade, segurança e eficácia desses medicamentos, especialmente por se tratarem de produtos injetáveis, que exigem alto padrão de pureza e controle sanitário.
Além disso, a Anvisa informou que já proibiu, desde janeiro deste ano, a importação, comercialização e uso de produtos irregulares relacionados a medicamentos da classe GLP-1.
O que muda na prática
O plano de ação inclui seis frentes principais, entre elas o aprimoramento regulatório, o reforço na fiscalização, a cooperação internacional e campanhas de orientação à população sobre os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos.
Atualmente, há ainda processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo da semaglutida, mas qualquer liberação depende da comprovação de segurança e eficácia junto à agência reguladora.
A movimentação da Anvisa acontece em meio ao aumento da procura por esses medicamentos no Brasil, impulsionado principalmente pelo uso para emagrecimento, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado.






















