O feriado prolongado da Semana Santa e Páscoa (02/04 a 05/04) terminou com um dado que acende um alerta nas rodovias brasileiras: 40 pessoas perderam a vida em acidentes nas rodovias federais concedidas. O balanço foi divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que chama atenção para um fator determinante e recorrente nos sinistros: o comportamento dos motoristas.
Durante os quatro dias de operação, mais de 11,2 milhões de veículos passaram pelos pedágios, resultando em 969 sinistros registrados e mais de 11,5 mil atendimentos prestados pelas concessionárias. Entre as ocorrências, as colisões frontais em pista simples foram responsáveis por 20% das mortes, liderando o ranking de fatalidades. Na sequência aparecem as colisões frontais em pista dupla e as traseiras, ambas com 13%.
O padrão identificado não é novo, mas segue preocupante. Ultrapassagens em locais proibidos, excesso de velocidade, desatenção e a pressa aparecem como os principais gatilhos para os acidentes mais graves. Na prática, decisões tomadas em segundos seguem custando vidas nas estradas.
Mesmo com uma estrutura robusta de atendimento, que incluiu quase 10 mil ocorrências mecânicas e mais de 1,6 mil atendimentos médicos, os números evidenciam um limite claro: a infraestrutura e o socorro não conseguem neutralizar comportamentos de risco.
Diante desse cenário, a ANTT tem reforçado estratégias de prevenção. O Programa Vias Seguras integra ações de infraestrutura, fiscalização, análise de dados e educação no trânsito, com o objetivo de reduzir acidentes antes mesmo que eles aconteçam. A iniciativa conta com parcerias, como a Associação Brasileira de Segurança Viária, além da atuação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Outro eixo da atuação está nas campanhas educativas. Em 2026, a ANTT lançou a campanha “Sua segurança é a nossa rota”, que muda o foco da comunicação ao colocar o comportamento do condutor no centro do debate. A proposta é chamar o motorista para a realidade da direção, quebrando a ideia de que tudo está sob controle mesmo diante de atitudes de risco, um comportamento que segue entre os principais responsáveis pelas mortes no trânsito.
Os dados da Páscoa escancaram um cenário já conhecido, mas ainda negligenciado na rotina das estradas. Mais do que obras ou reforço na fiscalização, a segurança depende, sobretudo, de quem está ao volante. No fim, são as decisões tomadas durante o trajeto que determinam se a viagem termina com segurança ou não.
























