O Rondonópolis Hawks é um time de futebol americano fundado em julho de 2009. Com mais de uma década de história nas linhas das 50 jardas, a equipe acumula inúmeras vitórias e uma trajetória marcada por evolução e superação dentro e fora de campo.
O início do Hawks foi simples, um grupo de amigos que se reunia nos fins de semana para jogar por diversão. O que parecia apenas um sonho se tornou realidade. Mesmo com poucos recursos e quase nenhum patrocinador, o time cresceu passo a passo e hoje conta com contratações nacionais e internacionais entre elas, o técnico Paul John Bunyard II, que está à frente da equipe desde 2024, liderando o elenco com experiência e resultados expressivos.
Com 12 anos de história, o time rondonopolitano conquista títulos, investe em reforços e sonha com novas vitórias. O Rondonópolis Hawks nasceu da paixão entre amigos pelo esporte e começou a se destacar no cenário nacional.

Enfrentando obstáculos como a falta de atletas familiarizados com o futebol americano e a necessidade de treinar com equipamentos improvisados, devido ao alto custo e à dificuldade de aquisição, o time superou as adversidades e conquistou seu espaço. O presidente do Rondonópolis Hawks, Maicon Pradela, falou com nossa equipe do Folha Estado e relembrou os desafios enfrentados no início dessa caminhada.
“No começo, acredito que a maior dificuldade para formar uma equipe de futebol americano realmente era ter atletas que conhecessem a modalidade e, principalmente, conseguir equipamentos. Sempre foi muito caro e, quando a gente conseguia ter acesso, eram muito velhos. Começamos treinando com coletes e capacetes de taekwondo para aprender o contato do tackle e evitar lesões. Então, acho que a maior dificuldade era ter a quantidade de pessoas suficiente para montar o time e o segundo desafio era o financeiro, para comprar os equipamentos necessários”, disse o presidente.
Com o crescimento e as conquistas, a diretoria pôde promover diversas mudanças, incluindo reforços que fizeram a diferença em campo. Em 2024, o Hawks realizou contratações importantes que contribuíram para o primeiro título da história do time. Desde então, o clube vem investindo cada vez mais em atletas de fora.
Em 2019, o time começou a contratar jogadores nacionais e internacionais. Inspirado em outras equipes, o Hawks criou a “Casa Atleta”, oferecendo moradia, alimentação, treinos, uniformes e viagens. A estratégia visava suprir necessidades específicas do time, buscando jogadores versáteis.
Devido às regras da liga que permitem apenas dois atletas americanos em campo por jogo o Hawks passou a contratar dois estrangeiros por vez, priorizando o custo-benefício. Um dos primeiros americanos foi Trey Fletcher, que se destacou e retornou ao time nos anos seguintes.

“Nosso primeiro ano com o projeto da casa atleta foi 2019. Outros times já tinham isso, mas não da maneira que fizemos aqui. Os atletas brasileiros moravam em Rondonópolis com casa, comida, treinos, uniforme e viagens gratuitas. Isso foi muito atrativo no começo. E acertamos na escolha do americano que trouxemos: o Trey Fletcher, que mostrou muito serviço, ensinou muita coisa pra gente e já está no Hawks pelo terceiro ano”, comentou Maicon.
O presidente acredita que as contratações de jogadores de fora foram essenciais para o desempenho do time, que agora busca o segundo título consecutivo. Ele também cita a concorrência com outras modalidades e o preconceito com o futebol americano como desafios locais.
“Acho que isso é essencial. A gente não consegue formar uma equipe tão sólida só com atletas daqui. A cidade compete com várias modalidades futebol, vôlei, handebol, basquete e, infelizmente, ainda há preconceito com o futebol americano”, afirmou.
A equipe elevou seu nível no ano passado, manteve o ritmo em 2025 e agora mira a final, buscando uma performance ainda melhor contra o Manaus Cavaliers, para chegar ao Brasil Bowl.
“Por mais que tenhamos tido jogos mais duros que no ano passado, o time está mais unido e com mais vontade de vencer. Muita gente passou a conhecer o Hawks e a força de Mato Grosso dentro do futebol americano, completou Maicon.
Apoio da torcida e importância das transmissões

Uma equipe resiliente, que sempre busca enfrentar os desafios que surgem ao longo da estrada. Mesmo com pouco apoio em alguns momentos, o incentivo da torcida é fundamental, seja nas arquibancadas ou nas transmissões on-line.
Muitas vezes, os torcedores precisam acompanhar os jogos apenas pelo YouTube, como aconteceu nas duas últimas partidas realizadas fora de casa, na cidade de Dom Aquino-MT, devido à falta de apoio esportivo disponível em Rondonópolis.
“Para Rondonópolis, eu acredito que a nossa torcida gosta muito do FA, a nossa torcida é muito assídua. Quando a gente tem jogos no município, infelizmente tivemos que fazer dois jogos fora da cidade de Rondonópolis, tivemos que jogar em Dom Aquino por falta de apoio. Infelizmente, da secretaria a gente não conseguiu ter acesso ao estádio, e outros miniestádios ou campos que a gente alugava não tiveram condições de nos atender esse ano. Mas, enfim, a gente torce que para o Brasil Bowl a gente vai estar lá para disputar essa final, e que a final seja aqui. Se Deus quiser, a gente consiga o estádio para mostrar a nossa força para Rondonópolis”, explica Pradela.
Maicon também destacou o papel essencial da torcida, que, apesar de pequena, é apaixonada e faz diferença nos jogos.
“A torcida é essencial. A gente treina sem torcida, mas, quando ela está lá, faz total diferença. Mesmo que sejam 150 ou 200 pessoas, isso muda o clima. Muitos conhecem o esporte pelas transmissões, e é por isso que transmitimos todos os jogos no YouTube, alcançando torcedores de todo o país e divulgando nossos patrocinadores”, explicou.
Investimentos e estrutura
Em 2024, o Hawks investiu em três áreas principais: comissão técnica, contratações e equipamentos.
Foram contratados treinadores especializados em ataque, defesa e o head coach americano PJ. O time também priorizou a compra de equipamentos de proteção como capacetes e ombreiras para atletas de baixa renda, além de bolas, câmeras para filmagem e outros materiais.
“Dentro de campo, nosso principal investimento é em atletas, contratações nacionais e internacionais, e na casa atleta. Como os equipamentos são muito caros, o time sempre priorizou tê-los disponíveis. Um capacete custa até R$ 2 mil, uma ombreira R$ 1.200, então a gente fornece tudo o que é essencial. O atleta só precisa comprar a chuteira e o protetor bucal”, complementa o presidente.
Expectativas e conquistas
Neste ano, o Rondonópolis Hawks se sagrou campeão invicto do Centro-Oeste na Superliga de Futebol Americano. A vitória ocorreu no último sábado (11), no Estádio Municipal Lázaro Júlio de Andrade, em Dom Aquino, quando o time venceu o Tubarões do Cerrado, de Brasília, por 13 a 0.
A partida foi eletrizante, com prorrogação e muita emoção nas arquibancadas. Com o resultado, o Hawks avança para a final da Conferência Centro-Norte, marcada para o dia 1º de novembro, em Manaus (AM), onde enfrentará o Manaus Cavaliers. O vencedor disputará a decisão nacional contra o campeão da Conferência Nordeste.
Expectativas altas para o Brasil Bowl
As expectativas da equipe estão nas alturas. Segundo Maicon Pradela, o objetivo é claro: chegar ao Brasil Bowl e manter o alto nível técnico nos próximos anos.
“A nossa expectativa é chegar na final e conquistar o Brasil Bowl. Queremos continuar evoluindo, ajustar o que não deu certo e buscar essa glória que todo mundo sonha: ser campeão nacional”, finaliza Maicon Pradela.




















