Antes dos vídeos, das publicidades e de uma rotina acompanhada por milhares de pessoas nas redes sociais, existia uma Pri Oliveira que já encontrava na comunicação uma forma de se conectar com quem estava ao redor. Ela mesma brinca que falava tanto na escola que a mãe era chamada por causa das conversas. O que ninguém imaginava é que, anos depois, justamente essa facilidade para falar e se comunicar se tornaria profissão.
Em entrevista ao Influência em Pauta, Pri voltou ao começo dessa história e, ao mesmo tempo, abriu espaço para falar sobre quem é hoje. Aos 33 anos e com mais de uma década de atuação no digital, ela vive uma fase marcada por mudanças pessoais e profissionais, pelo cuidado com a saúde, pelo desejo de ser mãe e por novos caminhos na carreira.
A relação com o trabalho começou cedo. Aos 13 anos, ela já trabalhava como menor aprendiz. Mais tarde, passou pela venda de veículos e foi justamente enquanto trabalhava nos corredores de um shopping, entre um dia comum e outro, que recebeu um convite que mudaria sua trajetória.
“Eu fui descoberta ali no corredor do shopping, muito arrumada, muito produzida, e aí me convidaram a participar do primeiro Miss Plus Size de Rondonópolis”, recordou.
Em 2015, Pri venceu o concurso e se tornou a primeira Miss Plus Size de Rondonópolis. A faixa trouxe visibilidade, mas também abriu espaço para uma mensagem que seguiria com ela nos anos seguintes. Autoestima, confiança e aceitação corporal passaram a fazer parte de uma comunicação construída, principalmente, com outras mulheres.
“Não imaginava que de tanto minha mãe ser chamada na escola porque eu conversava demais, eu ia me tornar influência digital”, brincou.
Aquela mulher que começou falando sobre aceitação e mostrando que não era preciso esperar por um corpo diferente para viver e ser feliz ganhou espaço no digital. Mais de dez anos depois, é justamente essa trajetória que ajuda a explicar a Pri que hoje se permite falar também sobre mudanças, vulnerabilidades, sonhos e novos projetos.
Autoestima virou parte de sua identidade
Desde o início da carreira, adotou como uma de suas principais bandeiras a ideia de que ninguém deveria colocar a própria vida em espera por não estar satisfeito com o corpo.
“Você não precisa esperar emagrecer para ser feliz”, afirmou.
Segundo ela, o discurso sobre aceitação corporal chegou a ser interpretado por algumas pessoas como incentivo à obesidade, interpretação que rejeita. Para Pri, a mensagem sempre esteve relacionada à possibilidade de se amar e viver plenamente independentemente do momento enfrentado.
“Não é apologia à obesidade, é se aceitar e se amar todos os dias, independente do que você esteja vivendo, independente do que você esteja passando.”
A própria relação com roupas é usada por ela para explicar essa filosofia. Pri conta que nunca deixou de procurar peças que a fizessem se sentir bonita e confortável por causa do tamanho do corpo.
Esse discurso, que durante anos esteve associado à sua trajetória no movimento plus size, passou a ser observado por outra perspectiva quando ela decidiu compartilhar uma mudança importante da própria vida.
Uma nova fase exposta nas redes
Nos últimos meses, Pri passou a falar publicamente sobre questões de saúde que, segundo relatou na entrevista, incluem tireoidite de Hashimoto, endometriose e síndrome dos ovários policísticos (SOP), além do tratamento para perda de peso que realiza com acompanhamento profissional.
Tornar esse processo público, porém, trouxe um nível de exposição diferente daquele ao qual estava acostumada.
“Expor tireoide Hashimoto, uma doença autoimune, expor a parte da endometriose, expor tudo isso me deixou muito vulnerável”, contou.
Segundo Pri, ao mesmo tempo em que recebeu acolhimento, também enfrentou críticas e questionamentos nas redes sociais. A mudança em sua aparência fez com que parte das discussões se concentrasse no emagrecimento e em sua antiga identificação com o universo plus size.
Para ela, entretanto, havia uma parte muito mais íntima daquela decisão que nem sempre era percebida pelo público.
O desejo de ser mãe
Por trás das mudanças que os seguidores acompanham pelas redes sociais, existe uma motivação que vai muito além da perda de peso: Pri quer ser mãe. Aos 33 anos, a influenciadora contou que passou a olhar para o tempo e para a própria saúde de outra maneira e, ao falar sobre esse sonho, se emocionou durante a entrevista, revelando uma história que nem sempre aparece diante das câmeras.
“Se esquecem que por trás disso tudo tem uma mulher, tem um desejo, tem um sonho.”
Ao ser questionada sobre o maior desafio do tratamento, Pri não conteve a emoção ao falar sobre a incerteza que acompanha esse processo.
“Eu posso estar fazendo tudo isso e, no final, eu não conseguir ser mãe.”
Apesar do medo, ela diz que hoje entende que cuidar da saúde precisa continuar independentemente do que acontecer no futuro.
“Hoje eu faço tratamento com a convicção de que eu preciso ter uma vida saudável, independente de eu ter ou não ter o filho, de eu engravidar ou não engravidar.”
Mudanças que também chegaram à carreira
As mudanças na vida de Pri não ficaram restritas ao corpo ou à rotina. Elas também chegaram ao trabalho. Com novos hábitos, horários e escolhas, algumas parcerias que antes faziam parte do cotidiano deixaram de combinar com essa nova fase. Ela conta que perdeu contratos e sentiu o impacto financeiro dessa mudança, enquanto outros parceiros decidiram permanecer e se adaptar ao momento que ela vive.
Mas mudar, para Pri, não significa apagar quem ela foi. A história construída no universo plus size continua sendo parte de quem ela é e, principalmente, da mensagem que levou durante anos para outras mulheres.
“Eu sempre vou continuar sendo a Miss Plus Size e eu sempre vou continuar sendo a mulher que fala de autoestima, independente da idade, independente do peso, independente do corpo.”
Mesmo diante de tantas mudanças, a essência do que Pri defende permanece no mesmo lugar: autoestima e confiança para que cada mulher consiga se reconhecer e se respeitar em qualquer fase da própria vida.
Da primeira parceria à profissionalização
Antes das produções elaboradas, das câmeras profissionais e de uma equipe por trás dos conteúdos, houve quem acreditasse no trabalho de Pri quando tudo ainda estava começando. A primeira parceria foi com a Gioconda Modas, que apoiou sua participação no concurso Miss Plus Size. Depois veio a Menina Biju, marca que a acompanhou durante anos e com a qual chegou a desenvolver conteúdos e coleções ligadas a ela.
Com o tempo, a influência deixou de ser algo espontâneo e ganhou estrutura profissional. Hoje, Pri conta com videomakers e agência, mas sem abandonar os conteúdos mais naturais, gravados pelo próprio celular. A escolha depende da proposta de cada marca e, principalmente, do que faz sentido para o público.
“Eu trabalho de acordo com a demanda do cliente e com aquilo que ele precisa também”, explicou.
Mas existe um critério que ela não abre mão: identificação. Pri afirma que não aceita divulgar algo apenas por se tratar de um trabalho. Quando acredita em uma empresa, procura conhecer quem está por trás dela, entender o negócio e criar uma relação que vá além de simplesmente aparecer diante da câmera para fazer publicidade.
Quem é Priscila quando a câmera desliga?
Por trás da Pri conhecida nas redes sociais existe uma Priscila que ela mesma define como exigente e criteriosa, principalmente quando o assunto é trabalho. “Eu sou brava, eu sou muito exigente, sou muito criteriosa”, contou, entre risos.
Fora das câmeras, porém, ela diz continuar próxima de quem a acompanha. “Eu continuo daquele mesmo jeito. Você chega na rua, você fala comigo, eu converso.”
Muito dessa personalidade e da relação que construiu com a autoestima vem de casa. Filha e neta de mulheres que trabalharam como domésticas, Pri cresceu vendo na mãe e na avó exemplos de mulheres vaidosas, que se cuidavam independentemente da rotina ou das condições financeiras.
“O meu maior exemplo de autoestima era ver minha mãe se maquiar para ir limpar a escola, se produzir para ir fazer faxina no domingo.”
Essa mesma história também ajuda a explicar sua relação com o empreendedorismo. Ela já trabalhou com venda de acessórios e atualmente mantém, ao lado do marido, um ponto de vendas na Feira do Buriti. Para ela, empreender e comunicar sempre caminharam juntos.
“Eu sempre acredito muito no empreendedorismo feminino. Por isso que eu sempre vou estar vendendo alguma coisa, acreditando em alguma coisa, mas principalmente acreditando na minha comunicação, no meu poder de fala, no poder que a minha imagem vende de forma natural.”
É justamente essa confiança na comunicação, construída ao longo dos anos, que agora começa a abrir espaço para um novo capítulo profissional.
Da influência às mentorias e ao protagonismo feminino
Depois de mais de 11 anos falando para as câmeras, Pri começa a usar tudo o que aprendeu no digital para ajudar outras pessoas a encontrarem coragem para também ocuparem esse espaço. A transição para as mentorias nasceu justamente da percepção de que, muitas vezes, não falta conhecimento para alguém aparecer, palestrar ou se posicionar nas redes sociais. Falta confiança.
Ela já fazia esse trabalho antes mesmo de dar um nome a ele. Ao longo dos anos, orientou profissionais que queriam vencer a insegurança diante das câmeras e encontrar a própria forma de se comunicar. Em março, decidiu transformar experiência em preparação e buscou uma formação em autoestima e confiança.
“Antes eu ensinava com o meu dom, com o meu talento e com a minha experiência de 10, 11 anos de trabalho. Hoje não. Hoje eu já venho com uma roupagem.”
E se cada pessoa chega carregando uma história diferente, Pri acredita que o caminho também precisa ser individual. Por isso, as mentorias são feitas de forma personalizada. “Não existe Ctrl C, Ctrl V. Eu trabalho de forma individual”, explicou.
Essa nova Pri também começa a chegar a quem talvez não tenha tempo de parar diante de uma tela. No podcast Priorizzi | O Protagonismo Feminino, ela fala sobre autoestima e confiança, principalmente com mulheres que, assim como tantas que encontrou durante sua trajetória, têm potencial, histórias e sonhos, mas ainda esbarram no medo e na insegurança para mostrá-los.
O formato em áudio nasceu justamente olhando para quem está do outro lado. Grande parte do público dela é formada por mulheres, muitas delas mães, que dividem o tempo entre trabalho, casa, filhos, sonhos e tantas responsabilidades. Se nem sempre é possível parar para assistir, o podcast pode acompanhar a rotina e, quem sabe, ser aquele lembrete necessário de que, em meio a tantos papéis, existe uma mulher que também precisa olhar para si. É desse lugar que Pri fortalece seu novo capítulo profissional: compartilhando a experiência de quem construiu a própria voz para incentivar outras mulheres a reconhecerem seu valor, confiarem no que são capazes de fazer e ocuparem, sem medo, os espaços que também são delas.
Uma nova forma de influenciar
Pri segue presente nas redes sociais, mas agora divide esse espaço com uma nova fase profissional. Além da atuação como influenciadora, ela é comunicadora digital e já desenvolve mentorias e treinamentos voltados à autoestima e confiança.
Depois de mais de 11 anos trabalhando no digital e compartilhando parte da própria história com o público, ela passou a levar essa experiência também para pessoas que enfrentam inseguranças na hora de se comunicar, aparecer nas redes sociais ou ocupar novos espaços profissionais. O próximo passo dessa preparação já está definido: ela pretende buscar uma formação em Psicologia da Autoimagem.
“Futuramente, eu acredito que eu não vou estar mais no meu lugar de influenciadora.”
A transição acontece aos poucos e sem romper com a trajetória construída até aqui. Pri pretende ampliar o trabalho com mentorias e treinamentos, enquanto mantém nas redes sociais o espaço onde continua se comunicando com o público e compartilhando as diferentes fases de sua vida e carreira.
E foi com uma palavra simples, mas carregada de tudo o que vive atualmente, que ela escolheu encerrar a entrevista: prioridade.
“Você precisa se priorizar primeiro. […] Se priorize, peça ajuda, e eu vou estar aqui para segurar a mão de todo mundo que precisar.”
Da menina que começou a trabalhar aos 13 anos à mulher que construiu seu espaço no digital, Pri Oliveira segue escrevendo novos capítulos. Hoje, leva a experiência de mais de uma década para ajudar outras mulheres a reconhecerem a própria força, confiarem em suas vozes e ocuparem seus espaços.




















