A Polícia Civil prendeu, no dia (09/01), na cidade de Juara, o terceiro e último envolvido no assassinato de três motoristas de aplicativo ocorrido em Várzea Grande. A ação foi confirmada pelo delegado Kaio Cordeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que destacou o trabalho de inteligência e a atuação integrada das equipes policiais.
Relembre o caso
Entre os dias (11/04) e (14/04) de abril de 2024, três motoristas de aplicativo, com idades de 58, 42 e 34 anos, desapareceram em Várzea Grande e, dias depois, foram encontrados mortos em diferentes regiões do município, na região metropolitana de Cuiabá. O primeiro desaparecimento foi registrado no dia (11/04). A vítima trabalhava como motorista por aplicativo havia cerca de cinco anos e utilizava o próprio veículo para complementar a renda, transportando verduras e doces durante as corridas. O segundo caso ocorreu no dia seguinte. Familiares relataram que o motorista era uma pessoa tranquila, alegre e sem histórico de vícios.
No domingo (14/04), o grupo solicitou uma nova corrida por aplicativo. A terceira vítima, um motorista de 34 anos, foi dada como desaparecida pela família ainda no mesmo dia. Conforme depoimento prestado à polícia, o motorista foi levado até uma região de mata, onde foi agredido com golpes na cabeça desferidos pelos adolescentes. Após a execução, o corpo foi abandonado no local.
Os crimes foram cometidos por cinco pessoas, sendo três adultos, dois homens e uma mulher, que estão presos, além de dois adolescentes, de 15 e 17 anos, que cumprem medida de internação em uma unidade do sistema socioeducativo por envolvimento direto nos assassinatos. Segundo a polícia, o grupo agia de forma sequencial, com a intenção de cometer um homicídio por dia, comportamento que levou os investigadores a classificarem a atuação como semelhante à de serial killers. Com a prisão realizada em Juara, todos os adultos envolvidos no caso estão agora sob custódia do Estado.
Entenda o trabalho da polícia
Segundo o delegado, o investigado já vinha sendo monitorado pelas forças de segurança, que aguardaram o momento mais oportuno para realizar a abordagem, garantindo a segurança dos policiais e do próprio preso.
“Pela credibilidade do nosso trabalho e pela parceria, nosso total agradecimento a esses policiais. Ele foi preso na cidade de Juara, já estava sendo monitorado e os policiais sabiam o ponto exato onde ele se encontrava. A prisão foi feita no momento mais oportuno, inclusive pensando na segurança do próprio preso”, afirmou.
Após a prisão, foi solicitado o recambiamento do suspeito para Várzea Grande, pedido que foi deferido. Atualmente, ele já se encontra na DHPP, onde será interrogado e, na sequência, encaminhado para audiência de custódia.
De acordo com Kaio Cordeiro, a participação do investigado no crime está bem fundamentada dentro do inquérito policial. O delegado explicou que o suspeito já havia sido denunciado anteriormente, mas o processo estava suspenso em razão da fuga.
“A participação dele está muito bem sedimentada. Ele foi denunciado, só não foi julgado porque fugiu, o que levou à suspensão do processo. Agora, com a prisão, ocorre a retomada natural, e ele tende a ser encaminhado ao Tribunal do Júri, com grande probabilidade de condenação”, explicou.
As investigações apontam que os crimes foram cometidos com extrema violência. Conforme o delegado, em um dos casos envolvendo motoristas de aplicativo, os autores utilizaram uma faca e, após quebrá-la, se apoderaram do canivete da própria vítima para continuar os golpes até a morte.
“Há informações no inquérito de que os autores quebraram a faca e pegaram o canivete do motorista, golpeando-o até a morte”, detalhou.
Ainda segundo o delegado, há fortes indícios de que os envolvidos integrem organização criminosa, o que ajuda a explicar o modus operandi adotado nos homicídios.
“Existe grande indicativo de facção. É um tipo de morte marcada pela periculosidade, pela vontade de matar por simples querer. O modo de agir é típico de organização criminosa e os autos demonstram essa ligação”, concluiu.
Com a conclusão das investigações, os três adultos presos foram indiciados por cinco crimes: latrocínio, extorsão qualificada, corrupção de menores, associação criminosa e ocultação de cadáver. O inquérito policial foi encerrado e o caso segue para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.


















