A Polícia Federal identificou um esquema de fraudes em recuperações judiciais milionárias do agronegócio, apontando o grupo Fource como principal beneficiado.
O relatório parcial de investigação indica manipulação de processos e possível compra de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para favorecer empresas endividadas. A reportagem de Aguirre Talento, do Estadão, revela que entre os casos citados está o do produtor José Pupin, que admitiu irregularidades em sua recuperação judicial. A PF aponta cooptação de juízes e administradores para legitimar documentos falsos. Por meio de nota, a Fource contestou as conclusões do trabalho da PF e disse que as acusações não têm fundamento.
O grupo Fource e seus sócios, Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak, são citados como núcleo central do esquema de compra de decisões judiciais. Segundo o relatório, Haroldo mantinha influência direta em gabinetes do STJ, sustentada por um relacionamento pessoal com a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi. Em nota, a defesa da advogada classificou de “descabida e maliciosa” a vinculação do seu nome à investigação sobre venda de decisões.
O delegado Marco Bontempo deixou o comando da Operação Sisamnes, que investiga a venda de decisões judiciais, após entregar relatório parcial do caso. Ele alegou motivos de saúde e sobrecarga de trabalho, negando qualquer pressão externa para sua saída.
Uma nova frente de investigação vai apurar a ligação do lobista Andreson Gonçalves com o grupo JBS no esquema de venda de decisões. Mensagens interceptadas indicam que ele teria recebido R$ 19 milhões para atuar em um processo ligado à empresa, com repasses ao escritório da esposa, segundo o Coaf. A PF diz que Andreson teve acesso antecipado a um voto da ministra Nancy Andrighi.
(Estadão SP/eh fonte)




















