A dificuldade para descobrir onde buscar um direito, conseguir um atendimento ou dar início a uma demanda foi uma das principais questões levadas à Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso durante o Mutirão da Mãe Atípica, realizado neste sábado (26), no bairro Planalto, em Cuiabá.
Parceira da iniciativa, a Defensoria Pública participou da ação oferecendo orientação jurídica e encaminhamentos às mães atípicas e também aos demais moradores da região. O mutirão reuniu ainda serviços de saúde e acolhimento voltados às famílias da comunidade.
Para o defensor público Denis Thomaz Rodrigues, coordenador do Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos (Gaedic) Saúde Mental, ações realizadas dentro dos bairros ajudam a reduzir uma distância que ainda existe entre parte da população e os serviços públicos.
“O papel da Defensoria Pública é, primeiro, orientar a população, para que ela saiba onde procurar os seus direitos. O segundo papel, e muito importante, é a aproximação da Defensoria Pública com a comunidade”, afirmou.
Segundo o defensor, nem toda demanda apresentada durante a ação precisa resultar em processo judicial. A prioridade é identificar a necessidade de cada pessoa, orientar e buscar, sempre que possível, uma solução administrativa mais rápida.
“Sempre que há a obtenção do resultado administrativo, ela é melhor porque é mais rápida”, explicou. Nos casos que exigem outras providências, como a elaboração de ofícios, documentos ou eventual judicialização, os moradores são encaminhados aos núcleos específicos da instituição.
Uma das responsáveis pela mobilização, Juliene Estefani da Silva Carmo destacou que a falta de informação ainda dificulta o acesso de muitas famílias aos próprios direitos. “Muitas famílias não têm esse acesso, não sabem onde recorrer, não sabem onde buscar esse atendimento. E a Defensoria está nos auxiliando e nos ajudando”, disse.
Mãe de quatro filhos autistas, Juliene contou que começou a atuar pela causa há cerca de seis ou sete anos, a partir das dificuldades enfrentadas para garantir atendimento ao filho Caleb. Para ela, reunir diferentes serviços em um mesmo espaço representa oportunidade de acolhimento e também de dar maior visibilidade às necessidades das famílias atípicas.
Entre os moradores atendidos estava Raquel Ninô Curi, que procurou o mutirão em busca de acompanhamento de saúde e outros serviços para o filho. Ela relatou dificuldades para conseguir atendimento pela rede pública e saiu da ação com orientações sobre os próximos passos.
“Já agilizaram, me indicaram para onde eu preciso ir para resolver. Eu tenho fé que vai ser resolvido”, afirmou. Raquel já havia sido atendida anteriormente pela Defensoria Pública e destacou o acolhimento recebido pela instituição. “Sempre fui muito bem atendida. A Defensoria me acolheu e me encaminhou para tratamento psicológico e terapia”, contou.




















