Falta de planejamento tributário faz produtor rural pagar mais imposto e eleva riscos fiscais no agro

O avanço das exigências fiscais no agronegócio brasileiro tem exposto um problema recorrente no campo: a falta de planejamento tributário ainda faz milhares de produtores rurais pagarem mais impostos do que o necessário.

Especialistas do setor alertam que falhas no preenchimento do livro caixa, ausência de controle financeiro contínuo e desorganização documental aumentam significativamente os riscos fiscais e reduzem a eficiência financeira das propriedades rurais, especialmente entre pequenos e médios produtores.

Segundo Gustavo Venâncio, sócio e diretor comercial e de marketing da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, um dos principais erros ocorre quando o produtor deixa para organizar receitas, despesas e documentos apenas no período da declaração do Imposto de Renda.

“O erro mais comum é o produtor não fazer o livro caixa ao longo do ano. Quando chega o momento da declaração, ele tenta reconstruir tudo olhando para trás, e isso compromete completamente o planejamento tributário. O livro caixa não é apenas uma obrigação fiscal, ele é uma ferramenta de gestão fiscal”, afirma.

Livro caixa rural é obrigatório para parte dos produtores

Atualmente, produtores rurais com faturamento anual superior a R$ 177.920 são obrigados a declarar a atividade rural no Imposto de Renda.

Já aqueles com receita bruta de até R$ 4,8 milhões precisam manter atualizado o livro caixa da atividade rural, documento que registra receitas, despesas, investimentos e demais movimentações ligadas à produção agropecuária.

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Apesar da obrigatoriedade, especialistas afirmam que ainda é comum encontrar propriedades com controles incompletos, anotações feitas parcialmente ou ausência total de acompanhamento fiscal contínuo.

Segundo Gustavo Venâncio, a falta de monitoramento mensal prejudica diretamente a tomada de decisão dentro da fazenda.

“Se o produtor acompanha as informações ao longo do ano, ele consegue entender melhor o impacto tributário da atividade e tomar decisões com antecedência. Quando tudo é deixado para a última hora, o risco de erro aumenta muito”, explica.

Complexidade tributária aumenta desafios no agronegócio

Além do Imposto de Renda, o produtor rural brasileiro precisa lidar com diversas obrigações tributárias e fiscais relacionadas à atividade agropecuária.

Entre elas estão impostos como ICMS, ITR, ITBI, ITCMD e Funrural, além da emissão de notas fiscais, registros patrimoniais, cadastros de propriedades e controles financeiros cada vez mais detalhados.

Para Viviane Morales, advogada e diretora administrativa e financeira da Lastro, o aumento da complexidade tributária exige uma postura mais profissional na gestão rural.

“Hoje o produtor precisa ter muito mais organização sobre as informações da atividade. Receita, notas fiscais, movimentações financeiras e dados patrimoniais precisam estar corretamente registrados para evitar problemas futuros”, destaca.

Auditoria tributária ganha espaço como ferramenta estratégica

Com o aumento da fiscalização e da digitalização das informações fiscais, especialistas avaliam que auditorias e consultorias tributárias passaram a ter papel estratégico dentro do agronegócio.

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Segundo Viviane Morales, muitos produtores ainda enxergam esse tipo de serviço apenas como custo adicional, quando, na prática, ele pode reduzir prejuízos financeiros e evitar autuações futuras.

“A auditoria não serve para apontar culpados, mas para dar visibilidade aos riscos e permitir correções. Em boa parte dos casos, existem pontos importantes que precisam ser ajustados”, afirma.

Gestão fiscal passa a ser diferencial competitivo no campo

O crescimento das exigências fiscais no Brasil vem transformando a organização tributária em um fator estratégico para a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.

Especialistas apontam que produtores que investem em controle fiscal, planejamento tributário e gestão documental conseguem reduzir riscos, melhorar a previsibilidade financeira e aproveitar mecanismos legais de compensação e dedução tributária.

Nesse cenário, a gestão fiscal deixa de ser apenas uma obrigação burocrática e passa a ocupar posição cada vez mais relevante na administração do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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