Trabalhar sob calor extremo e ignorar os avisos do corpo é um risco real em Mato Grosso. Em um único ano, o estado registrou 4.635 mortes por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). O volume de óbitos reforça a importância do alerta sobre o tema. “A demora em buscar socorro é o principal fator de morte e sequela”, afirma a Dra. Ohara Sanches, médica emergencista e discente da pós-graduação médica na Afya Cuiabá. “As pessoas esperam o sintoma passar sozinho, e isso pode ser o fator determinante para a morte”, completa.
Essa demora no diagnóstico é o que fundamenta a regra máxima do atendimento vascular: tempo é cérebro. “Sintomas como boca torta, perda de força de um lado do corpo e dificuldade para falar exigem ida imediata ao hospital, mesmo que os sinais pareçam passar sozinhos”, afirma a médica.
Com experiência na área de urgência e emergência, ela destaca que, ao dar entrada no pronto-socorro, a prioridade da triagem é descartar um evento vascular antes de avaliar crises emocionais. “A primeira etapa é coletar a história do paciente e fazer o exame físico. Na crise de pânico há falta de ar e palpitação, mas não ocorrem as alterações neurológicas do AVC, como paralisia facial ou falha na fala”, explica.
O AVC é tão recorrente que sobrecarrega a saúde pública, a ponto de motivar a criação do programa estadual “MT Sem AVC”, voltado a combater o atraso nas redes de urgência e a acelerar a aplicação de medicamentos que desobstruem os vasos sanguíneos. Medidas como essa são fundamentais, porque a maioria dos casos pode ser evitada. “O AVC resulta principalmente do descontrole de doenças crônicas, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado, somado ao tabagismo e ao sedentarismo”, resume a Dra. Ohara.
Em Mato Grosso, o calor intenso e o clima seco aumentam ainda mais a vulnerabilidade do organismo. Para reduzir os riscos, a médica reforça que a prevenção passa por exames em dia, hidratação constante, alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas.
Quando o esgotamento no trabalho afeta o cérebro
Além do calor e dos hábitos físicos, o estresse acumulado na rotina de trabalho é outro vilão silencioso para a saúde. Quando a pressão do dia a dia ultrapassa os limites, a fadiga comum pode evoluir para a Síndrome de Burnout, condição que desregula todo o organismo.
“Existe uma diferença clara entre estar cansado e estar doente. No cansaço normal, uma boa noite de sono ou um fim de semana de descanso resolvem. No burnout, a pessoa já acorda exausta, perde a motivação no trabalho e passa a conviver com insônia, ansiedade e falhas de memória”, explica a Dra. Ohara.
Viver sob tensão constante mantém o corpo em estado de alerta contínuo. Essa sobrecarga faz a pressão arterial subir sem sinais claros, agredindo os vasos sanguíneos e aumentando o risco de um AVC no futuro.
Por isso, o cuidado com a saúde mental deixa de ser apenas uma busca por bem-estar e passa a ser uma medida direta de proteção à vida. “As pessoas tendem a ignorar o esgotamento mental e vão empurrando a exaustão com a barriga, mas o corpo sempre cobra essa conta. Respeitar os limites do corpo e buscar ajuda não é fraqueza é o que evita um colapso vascular lá na frente”, conclui.
Serviço
Em Mato Grosso, a Afya Educação Médica Cuiabá oferece atendimentos gratuitos em diversas especialidades, incluindo Psiquiatria, Clínica da Dor, Endocrinologia, Nutrologia, Pediatria e Ultrassonografia. As consultas dependem de agendamento prévio e disponibilidade de vagas. Os interessados podem entrar em contato pelo número de WhatsApp: (65) 99689-7280.


















