Neste domingo (9), o Dia dos Pais será celebrado em todo o Brasil. A data, que tradicionalmente reúne famílias em torno do almoço, dos presentes e das homenagens, também pode ser uma oportunidade para olhar para a paternidade de uma forma mais ampla. Afinal, não existe apenas um jeito de ser pai. Existem diferentes histórias, realidades e formas de construir vínculos que permanecem ao longo da vida.
Ao olhar ao redor, é possível encontrar pais de todos os tipos. Há aquele que sai cedo para trabalhar e volta para casa depois de um longo dia, muitas vezes cansado, mas ainda disposto a saber como foi o dia dos filhos. Há o pai que divide as tarefas de casa, acompanha a rotina escolar, participa das consultas, prepara a comida, ajuda nas atividades e entende que cuidar também faz parte da paternidade. Há ainda aquele que está distante por causa do trabalho, mas tenta estar presente por meio de uma ligação, uma mensagem ou de cada visita possível.
Também existem os pais que assumiram sozinhos a criação dos filhos, os pais adotivos que construíram suas famílias pelo afeto e pela escolha, os padrastos que foram conquistando espaço até se tornarem figuras paternas e os avôs que, em muitas famílias, assumem um papel fundamental na criação dos netos. São diferentes configurações familiares que mostram que a paternidade não se resume ao vínculo biológico, mas também passa pela presença, pelo cuidado e pela responsabilidade.
Há ainda os pais que aprenderam a exercer esse papel ao longo do caminho. Homens que talvez não tenham recebido o melhor exemplo dentro de casa, mas decidiram construir uma história diferente com os próprios filhos. Pais que erram, acertam, aprendem, pedem desculpas e descobrem, todos os dias, que ninguém nasce sabendo exatamente como exercer a paternidade.
E talvez seja justamente nessa diversidade que esteja a beleza dessa data.
Para mim, falar sobre pais também é falar sobre referências. Meu pai é uma delas. Cresci observando não apenas o que ele dizia, mas principalmente aquilo que fazia. Com o tempo, fui entendendo que muitos dos ensinamentos que recebemos dos nossos pais não estão necessariamente em grandes conversas. Eles aparecem no exemplo, na maneira de enfrentar as dificuldades, na responsabilidade, no cuidado e nas escolhas feitas ao longo da vida.
Hoje, existe também outra referência de paternidade que acompanho de perto: a do meu marido. Eu não apenas o conheci, eu o vi se tornar pai. Acompanhei as mudanças, as preocupações, as descobertas e também a forma como o amor por um filho passa a ocupar um espaço diferente na vida de um homem. É bonito observar alguém que amamos descobrir uma nova versão de si mesmo e perceber, nos pequenos gestos, o pai que está construindo.
São dois homens de gerações e histórias diferentes, mas que, cada um à sua maneira, se tornaram grandes referências para mim. Um pelo exemplo de quem me criou e ajudou a formar quem sou. O outro pelo privilégio de acompanhar diariamente a construção da sua própria história como pai.
A maternidade também me fez enxergar a paternidade de outra maneira. Depois que nos tornamos responsáveis por uma criança, algumas preocupações ganham outro peso. O cansaço, os medos, as responsabilidades e as pequenas decisões do cotidiano passam a ter um significado diferente. É nesse lugar que também aprendemos que cuidar nem sempre está nos grandes gestos. Muitas vezes, está justamente naquilo que ninguém vê.
O Dia dos Pais também precisa abrir espaço para histórias que nem sempre aparecem nas comemorações. Existem homens que vivem a saudade de filhos que partiram, pais que enfrentam a distância, aqueles que não conseguiram construir uma relação com os filhos e aqueles que carregam suas próprias dores e tentativas de reconstrução. A data pode ser feliz para muitos, mas também despertar sentimentos diferentes em cada família. Por isso, falar sobre paternidade também exige sensibilidade.
O pai de hoje pode ser aquele que participa, escuta, acolhe, estabelece limites, brinca, ensina e também reconhece os próprios erros. A paternidade não cabe em uma única definição e pode ser construída diariamente por meio do afeto, do respeito, da presença e da responsabilidade.
Neste Dia dos Pais, a homenagem é para todos esses homens e para todas as histórias que existem por trás da palavra “pai”. Para quem está perto, para quem está longe, para quem cria sozinho, para quem adotou, para quem se tornou pai pelo coração, para quem encontrou nos netos uma nova oportunidade de cuidar e para aqueles que deixaram como principal legado um exemplo que continua sendo levado adiante.
Para mim, a data também é uma oportunidade de agradecer ao meu pai, Hermelindo Nicolau, por ser meu espelho, exemplo e inspiração, e por me ensinar, junto às minhas irmãs, valores como dignidade, responsabilidade e respeito. Ao meu marido, por me permitir acompanhar de perto sua construção como pai e, ao lado dele, também rever conceitos, desconstruir ideias e perceber quem estamos nos tornando. Dois homens, duas formas de exercer a paternidade, e grandes referências na minha vida.
É justamente isso que o Dia dos Pais nos convida a enxergar: não existe uma única maneira de ser pai. Existem histórias, escolhas, aprendizados e diferentes formas de amar. O que permanece são os abraços, os ensinamentos, as histórias e os exemplos que atravessam os anos. A data também é uma oportunidade de olhar para quem esteve presente em nossa caminhada e reconhecer tudo aquilo que recebemos desses homens. Pais que, cada um à sua maneira, ajudam a construir histórias que continuam sendo contadas muito depois que o domingo termina.




















