O mercado brasileiro de gergelim vive um momento de expansão acelerada, e Mato Grosso está no centro dessa transformação. Na safra 2024/2025, o estado produziu 288,9 mil toneladas do grão, um salto de 17,3% em relação à safra anterior, quando a produção somou 246,1 mil toneladas. O avanço não veio apenas da área plantada: a produtividade também deu um salto expressivo, passando de 579,06 kg/ha para 720,09 kg/ha no mesmo período, reflexo direto da evolução do manejo e da tecnologia empregada no campo.
Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA-MT), a área cultivada com gergelim no estado cresceu 250% nos últimos cinco anos. A região de Canarana desponta como o principal polo produtivo, concentrando 18% da área plantada e destinando praticamente toda a sua produção à exportação. Enquanto isso, o mercado interno de grãos ainda tem espaço para crescer: consome entre 10 e 15 mil toneladas por ano, quase totalmente voltadas à panificação, ao tahine (pasta) e à produção de doces.
Uma alternativa estratégica para o produtor – Mais do que uma cultura de exportação, o gergelim vem se firmando como opção estratégica de segunda safra, especialmente em regiões como o Araguaia, onde a estiagem antecipada limita o desempenho do milho. Impulsionada pela abertura de novos mercados internacionais, pela boa adaptação climática e pela possibilidade de diversificação produtiva, a oleaginosa ganha cada vez mais espaço em áreas antes ocupadas por outras culturas.
É nesse cenário de demanda crescente que chega ao mercado a LCS Melgrão (RNC 60195), nova cultivar do portfólio da LC Sementes, lançada neste segundo semestre de 2026 após mais de sete anos de pesquisa. Trata-se da primeira cultivar desenvolvida pelo setor de melhoramento genético da empresa — um marco que já nasce com atributos pensados tanto para o produtor quanto para a indústria.
De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Lodea, a Melgrão foi concebida para ampliar as opções do agricultor brasileiro sem abrir mão da robustez no campo. “Trata-se de uma variedade com teto produtivo elevado e bom perfil sanitário, desenvolvida para atender o dinâmico mercado de gergelim e para ampliar as opções de culturas do agricultor brasileiro”, explica.
No comparativo direto com a K3 — cultivar mais plantada atualmente no Brasil — a Melgrão mantém pontos fortes semelhantes: performance de lavoura equivalente e a característica de retenção placentária, que reduz a perda de grãos na colheita. A diferença está no que chega ao consumidor final: enquanto a K3 tem sabor amargo e é destinada principalmente à extração de óleo, a Melgrão se destaca por um perfil doce e suave, abrindo portas que vão além do mercado oleaginoso.
“Essa diferença confere ao novo material dupla aptidão. Além do mercado de óleo, ela atende ao mercado gourmet e de consumo direto, tornando-se uma alternativa para o fornecimento à indústria alimentícia”, pontua Lodea.
Para quem avalia incluir a Melgrão no planejamento da segunda safra, o pesquisador e engenheiro agrônomo Murilo Sampaio detalha os números que embasam a decisão:
*Janela de plantio de 10 de fevereiro a 15 de março, período com regime de chuvas favorável à cultura;
*Potencial produtivo com teto de até 1.600 kg por hectare, mediante manejo populacional e fitossanitário adequado;
*Custo estimado entre R$ 1.200 e R$ 1.600 por hectare;
*Ciclo curto a médio, em torno de 90 dias.
“Por se tratar de uma cultura de ciclo curto a médio, de aproximadamente 90 dias, o gergelim se destaca pelo baixo custo operacional e pelo potencial de retorno financeiro”, finaliza Sampaio.
Com esse conjunto de características, rusticidade no campo, sabor diferenciado e dupla aptidão de mercado, a LCS Melgrão surge como uma resposta direta a um setor que não para de crescer, oferecendo ao agricultor brasileiro mais uma via de rentabilidade e diversificação em suas lavouras.
Brasil no mapa das exportações de gergelim (2025)
- 1º China 190.320.228
- 2º Índia 124.276.969
- 3º Turquia 46.759.898
- 4º Vietnã 34.577.684
- 5º Arábia Saudita 31.400.769
- 6º Guatemala 29.587.330
- 7º Egito 20.792.872
- 8º Jordânia 18.255.713

















