A escola de samba Acadêmicos de Niterói abriu o desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro no domingo (15/02) com um enredo que exaltou o atual presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva e trouxe críticas direcionadas a opositores do governo. A apresentação colocou a trajetória do chefe do Executivo no centro da narrativa e incluiu referências políticas que, para setores da direita, ultrapassaram o campo cultural e assumiram tom de confronto ideológico.
A primeira-dama de Rondonópolis e atual secretária municipal de Promoção e Assistência Social, Alessandra Ferreira, se manifestou publicamente sobre o tema nas redes sociais.
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Um post compartilhado por Alessandra Ferreira Cróco de Souza (@alessandraferreiramt)
Em vídeo, Alessandra analisa o desfile e afirma que a família, a fé cristã e os valores religiosos seriam, segundo ela, a base da proteção social e do progresso individual. Ao mencionar pobreza, imoralidade, injustiça e autoritarismo, citando a Venezuela como exemplo reprovável, a primeira-dama associa a defesa de princípios conservadores a uma barreira contra crises econômicas e regimes políticos que considera negativos.
A secretária sustenta que os conservadores desejam apenas conservar esses fundamentos, com foco na proteção das futuras gerações, e encerra a fala adotando um tom de mobilização, ao afirmar que os ataques continuarão, mas que o grupo não pretende recuar, defendendo enfrentamento “com coragem”.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a receber representações contra o desfile da Acadêmicos de Niterói, com a alegação de que o samba-enredo que teria como tema o presidente Lula ultrapassaria o caráter cultural e se transformaria em promoção política antecipada.
Essas ações foram apresentadas por partidos como Partido Novo e Missão, que pediram liminares para impedir a apresentação sob a justificativa de propaganda eleitoral antecipada.
No entanto, o plenário do TSE negou por unanimidade esses pedidos de liminar, argumentando que, naquele momento, não havia elementos concretos suficientes para caracterizar irregularidade eleitoral e que impedir a escola de desfilar representaria censura prévia à produção artística.
Ainda assim, o caso segue sob debate e pode ser analisado instâncias da Justiça Eleitoral dependendo de como o conteúdo e repercussão fossem interpretados.
A reação da oposição foi imediata e forte. Líderes e partidos críticos ao governo consideraram o desfile uma forma de propaganda política antecipada em ano eleitoral, com acusações de “crime”, “abuso de poder político e econômico” e uso indevido de recursos públicos para favorecer o presidente Lula antes do período oficial de campanha.
Em Rondonópolis, além da manifestação da primeira-dama, o prefeito Cláudio Ferreira também se posicionou, declaração nas redes sociais adotou um discurso fundamentado nos princípios cristãos ao afirmar que a família é anterior ao Estado e tem origem divina, não institucional.
Ao usar a metáfora bíblica do “homem, uma mulher e um jardim”, reforçou a defesa do modelo tradicional como estrutura central da sociedade. Claudio argumenta que mudanças culturais e pressões sociais estariam relativizando valores morais, enfraquecendo a autoridade dentro de casa e colocando em risco a estabilidade familiar.
Para ele, “conservar a família” é um posicionamento ativo diante do que considera ameaças contemporâneas, defendendo que o núcleo familiar não deve ser guiado pelo medo ou aprovação social mas por convicções firmes.
Por meio das redes sociais, o prefeito lançou o movimento “Família Conserva”, que ganhou rápida adesão em Rondonópolis. A proposta incentivava famílias a publicarem fotos enquadradas por uma arte em formato de lata de conserva, em referência direta ao desfile da escola de samba.
Ao aderirem à trend, os participantes demonstravam alinhamento com o posicionamento do gestor e reforçavam a defesa pública dos valores familiares apresentados por ele.


















