A vereadora Katiuscia Manteli, primeira-secretária da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, afirmou que só deixou o PSB após autorização judicial do Tribunal Regional Eleitoral. Segundo ela, a decisão foi estratégica para evitar riscos de perda de mandato e garantir segurança jurídica ao grupo político que acompanha o deputado Max Russi.
A parlamentar explicou que, apesar de manter boa relação com o ex-governador Pedro Taques, não considerava viável uma simples carta de liberação partidária.
“Se não fosse de forma judicial, eu não sairia do partido. Mesmo com uma carta, poderia abrir brecha para suplente ou para a executiva nacional reivindicar a cadeira”, afirmou.
O pedido foi julgado pelo TRE com decisão unânime favorável e parecer positivo da Procuradoria. A filiação ao Podemos ocorreu no dia (07).
Katiuscia também negou qualquer pretensão eleitoral neste momento.
“Não sou candidata, nem pré-candidata. Estou à disposição do meu grupo político. A decisão foi para acompanhar o deputado Max Russi. Ficaria incoerente ele estar presidente do partido e nós estarmos em outra legenda”, declarou.
Podemos pode ter maior bancada
Com a migração de vereadores para o Podemos, o partido pode se tornar a maior bancada da Câmara de Cuiabá, com seis parlamentares .A vereadora avaliou que o fortalecimento da bancada pode influenciar diretamente nas votações e na composição da próxima Mesa Diretora. Já integram a sigla os vereadores Cassio, Mara e outros parlamentares em processo de autorização judicial, como Yudi e Itácio.
“Com seis votos, isso influencia qualquer votação, inclusive para mesa”, pontuou.
Ela também confirmou que o crescimento da sigla deve resultar em maior espaço na gestão do prefeito Abílio Brunini, já que todos os vereadores da legenda integram a base de apoio.
Diretório municipal
Apesar da nova filiação, Katiuscia descartou disputar cargos no diretório municipal ou estadual do Podemos.
“Quem já está no diretório foi eleito pelo partido. Não tenho interesse em pleitear diretoria”, afirmou, citando a vereadora Mara como uma das lideranças já consolidadas na sigla.
Venda de férias gera debate
Outro tema abordado foi a repercussão sobre a venda de férias por parte de vereadores, assunto que ganhou críticas nas redes sociais.
Katiuscia ressaltou que a prática é legal e foi aprovada por unanimidade na Câmara.
“Existe uma lei que permite. Cada vereador decide se pede ou não. É um direito legal”, explicou.
Ela informou que ainda não solicitou a conversão das próprias férias e avalia a possibilidade de usufruí-las em dezembro.
“Não pedi neste momento e não vou pedir agora, mas não julgo quem pediu. É permitido por lei”, acrescentou.
Vazamento em grupo de WhatsApp causa tensão
A primeira-secretária também comentou o vazamento de mensagens de um grupo privado de WhatsApp composto apenas por vereadores. O episódio gerou desconforto e desconfiança entre os parlamentares.
“Foi uma situação que nos deixou bastante chocados. Em qualquer grupo privado existe expectativa de confiança”, relatou.
Segundo ela, alguns vereadores deixaram o grupo após o ocorrido, temendo novos vazamentos. A parlamentar classificou o episódio como um alerta para o uso de grupos digitais.
“Todos passam a ser suspeitos. Isso gera insegurança total. O que é debatido em grupo de vereadores deveria permanecer ali”, afirmou.
A entrevista evidencia um momento de reconfiguração política na Câmara de Cuiabá, com fortalecimento partidário, movimentações judiciais e debates internos que impactam diretamente a dinâmica do Legislativo municipal.



















