O caso que chocou não apenas Caldas Novas, mas repercutiu em todo o Brasil, ganhou novos contornos nesta quinta-feira (19). A Polícia Civil de Goiás apresentou detalhes do inquérito que apura o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, desaparecida desde (17/12/2025).
Segundo as investigações, imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Daiane desceu de elevador até o subsolo do prédio onde morava, supostamente para verificar um problema elétrico. O que parecia uma rotina comum terminou em crime.
O vídeo recuperado pela polícia revelou que o síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, aguardava a vítima no local usando luvas, o que, para a investigação, indica premeditação. As imagens mostram que ele já havia posicionado sua caminhonete nas proximidades antes da abordagem. Para os investigadores, trata-se de uma emboscada cuidadosamente planejada.
De acordo com o superintendente da Polícia Científica, Ricardo Matos, Daiane foi atingida por disparos de pistola calibre .380. A polícia aponta que o assassinato não ocorreu dentro do prédio, mas possivelmente em uma área de mata próxima, onde o corpo foi localizado mais de 40 dias depois.
Prisão após localização do corpo
O síndico foi preso em (28/01), após a Polícia Civil encontrar o corpo da corretora em uma área de mata do município. O filho dele também foi detido na mesma data, apontado inicialmente como suspeito de envolvimento.
As buscas duraram mais de um mês. O caso, que até então era tratado como desaparecimento, passou a ser investigado oficialmente como homicídio com o avanço das provas.
Durante as diligências, o próprio Cléber indicou à polícia o local onde estava o celular da vítima. O aparelho foi encontrado 41 dias após o crime, escondido dentro de uma caixa de esgoto do prédio. A localização do telefone foi considerada peça-chave para consolidar a linha investigativa.
Apesar de ter apontado onde estava o corpo e o celular, o síndico não detalhou a dinâmica do crime em interrogatório.
Conflitos anteriores
As investigações também revelaram histórico de desentendimentos entre Daiane e o síndico, iniciados em novembro de 2024, relacionados à administração de imóveis e à permanência de hóspedes em uma das unidades do condomínio. Esses conflitos são tratados como elementos centrais na motivação do crime.
A defesa do filho nega qualquer participação e sustenta que ele não estava na cidade no dia do crime.
Nota da defesa
Em nota, o escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, que representa Cléber Rosa de Oliveira, informou que ainda não teve acesso à íntegra dos documentos recentemente inseridos na investigação, especialmente ao Relatório Final Policial.
Segundo a defesa, qualquer manifestação pública só ocorrerá após a análise completa do material.
O inquérito foi concluído e apresentado em coletiva nesta quinta-feira (19). O vídeo do dia do crime, segundo a polícia, foi determinante para consolidar a acusação de homicídio premeditado.
O caso provocou forte comoção em todo o país e reacendeu discussões sobre segurança em condomínios e a responsabilidade de gestores prediais.
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