O Brasil registrou ao menos 80 assassinatos de pessoas trans e travestis ao longo de 2025, segundo o dossiê anual divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Os dados constam na 9ª edição do relatório “Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras”, publicado em janeiro de 2026, e reforçam a permanência do país como o líder mundial em mortes motivadas por transfobia.
Apesar de representar uma queda de cerca de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizados 122 homicídios, a Antra alerta que a redução numérica não significa diminuição da violência. Pelo contrário, o levantamento aponta aumento nas tentativas de homicídio e mantém o diagnóstico de que a população trans segue exposta a um cenário de extrema vulnerabilidade social e institucional.
De acordo com o dossiê, a maioria das vítimas eram travestis e mulheres trans, em sua maior parte jovens. Entre os casos em que foi possível identificar raça ou cor, aproximadamente 70% das pessoas assassinadas eram negras ou pardas, evidenciando a intersecção entre transfobia e racismo estrutural no país.
Os crimes ocorreram, majoritariamente, em espaços públicos e em cidades do interior, o que, segundo a entidade, dificulta o acesso a redes de proteção, além de impactar a investigação e a responsabilização dos autores. A Antra também destaca que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação, falhas nos registros oficiais e à ausência de dados específicos sobre identidade de gênero nos sistemas de segurança pública.
Mesmo com oscilações anuais, o relatório mostra que o Brasil permanece, há quase duas décadas, no topo do ranking global de assassinatos de pessoas trans. Para a Antra, o cenário é resultado da combinação de exclusão social, violência institucional, falta de políticas públicas específicas e negligência do Estado no enfrentamento à transfobia.
O dossiê defende a adoção de medidas estruturais, como políticas de proteção, inclusão no mercado de trabalho, garantia de acesso à educação e fortalecimento da investigação dos crimes, como caminhos fundamentais para reduzir a violência e assegurar direitos à população trans no país.
























