O deputado estadual Gilberto Cattani fez um dos desabafos mais duros de sua trajetória pública ao comentar a condenação dos homens responsáveis pelo assassinato de sua filha, Raquel Cattani. Em entrevista, ele afirmou que, apesar das penas máximas aplicadas pela Justiça, a legislação brasileira ainda falha ao permitir que criminosos condenados por homicídio cumpram apenas um terço da pena antes de voltar ao convívio social.
Raquel foi assassinada em uma propriedade rural de Nova Mutum, em julho de 2024. Os réus receberam penas de 30 e 33 anos de prisão, consideradas o teto previsto em lei. Ainda assim, para o pai, o sentimento não é de justiça plena.
Segundo Cattani, a possibilidade de progressão de regime em poucos anos causa revolta e sensação de impunidade. “Eles vão cumprir um terço da pena e vão estar soltos. Pra mim, isso não é justiça”, declarou, ao destacar que nenhuma condenação é capaz de reparar a perda de uma filha.
O parlamentar fez questão de separar sua crítica. Ele afirmou que juízes, promotores e advogados atuaram de forma correta durante todo o julgamento, que se estendeu por cerca de 16 horas. O problema, segundo ele, está na legislação penal brasileira, que permite benefícios mesmo em crimes considerados extremamente graves.
Durante a entrevista, Cattani também falou sobre o impacto emocional de estar frente a frente com os assassinos da filha no plenário do júri. Ele ressaltou que, naquele momento, não estava ali como deputado, mas como pai. “Nenhum tempo de cadeia vai trazer minha filha de volta”, afirmou.
Apesar da dor, o deputado classificou a condenação como um alento para a família, por representar o reconhecimento da culpa dos réus. Ainda assim, reforçou que a sensação de vazio permanece e que o caso precisa servir de reflexão para mudanças mais profundas nas leis penais do país.
Ao final, Cattani fez um apelo às famílias e à sociedade, lembrando que a violência não escolhe classe social nem posição política e que o debate sobre punições mais rigorosas precisa avançar para evitar que crimes semelhantes se repitam.
A fala do deputado reacende, em Mato Grosso, a discussão sobre endurecimento das leis penais e os limites da progressão de regime em casos de homicídio, especialmente aqueles que chocam pela brutalidade e pelo impacto humano que carregam.




















