MPA apresenta plano de ação para o desenvolvimento da algicultura na ONU

O Ministério da Pesca e Aquicultura participou da 21ª Sessão da Conferência-Geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), realizada em Riade, Arábia Saudita, realizada de 23 a 27 de novembro de 2025. Em painel dedicado à Indústria Azul, o Chefe da Assessoria Especial Internacional, Eduardo Sfoglia, falou sobre o Plano de aceleração de soluções climáticas “Múltiplos benefícios da Algicultura” apresentado pelo MPA na COP30.  

A UNIDO utiliza o termo “Indústria Azul” para se referir a atividades produtivas tradicionais e emergentes relacionadas às águas marinhas e continentais que contribuem ao fortalecimento das cadeias de valor industriais, à inovação, à geração de emprego e renda e à conservação do meio ambiente, promovendo a prosperidade e impactando positivamente as pessoas e o planeta. 

De acordo com Sfoglia, “a produção de alimentos e bioinsumos à base de algas de cultivo figura entre os setores mais promissores da Indústria Azul no Brasil e no mundo”. 

algicultura na Agenda de Ação Climática

Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) realizada em Belém, a algicultura foi reconhecida como solução climática baseada na natureza, tendo sido integrada à Agenda de Ação, no eixo de Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares (Eixo 3).  

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algicultura também foi tema de um painel da COP30 promovido pelo MPA, no qual se abordou a contribuição do cultivo de algas à resiliência dos sistemas alimentares, à preservação da biodiversidade e à conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros. No encontro, o ministro André de Paula anunciou a participação do Brasil na Iniciativa Global das Nações Unidas para as Algas (UNGSI). 

Sobre a UNGSI

A Iniciativa Global das Nações Unidas para as Algas (UNGSI) tem o objetivo de promover práticas sustentáveis de produção e comercialização de algas. Também busca o desenvolvimento inclusivo do setor, com a participação de produtores de pequena escala, fortalecendo a cooperação e a coordenação internacional em matéria de sustentabilidade, comércio, pesquisa científica e inovação na algicultura. Além do Brasil, fazem parte da UNGSI o Chile, a França, a Indonésia e Madagascar.  

A iniciativa é sediada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), contanto com a participação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (COI-UNESCO), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Pacto Global das Nações Unidas (UNGC). 

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Potencial da algicultura

As algas são superalimentos, apresentando elevado valor nutricional. Também servem de bioinsumos para a produção de ração animal, biofertilizantes, bioestimulantes, fármacos, hidrocoloides (carragenina e ágar) e complementos alimentares para a redução de emissões de metano por ruminantes.  

Nos sistemas alimentares, as algas emitem poucos gases de efeito estufa e absorvem mais carbono, podendo formar cadeias produtivas carbono-negativas. 

Por isso, em diversas parte do mundo, projetos de algicultura estão sendo implementados como estratégias de mitigação e adaptação climática, para fortalecer a resiliência de comunidades costeiras, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos, como emprego, renda e segurança alimentar e nutricional.  

O cultivo de algas também vem sendo empregado na recuperação de áreas contaminadas, no tratamento de resíduos e efluentes e na produção de biocombustíveis, inclusive para embarcações pesqueiras. As algas têm servido igualmente de matéria-prima para diversos novos materiais, como bioplásticos e tecidos biodegradáveis. Produzidos em escala adequada, esses materiais na poderão contribuir para reduzir a concentração de microplásticos na cadeia alimentar e a poluição de rios e oceanos por plásticos e outros materiais sintéticos. 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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