Ao que tudo indica o governador Mauro Mendes (União) segue determinado a concluir uma de suas obras mais ambiciosas — e polêmicas: o Parque Novo Mato Grosso. Iniciado em 2021 com orçamento estimado em R$ 150 milhões, o megacomplexo já ultrapassou R$ 600 milhões em custos e pode chegar a R$ 1,5 bilhão até sua conclusão.
Localizado na rodovia MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, o parque promete ser o maior centro multiuso da América Latina, com capacidade para abrigar até 100 mil pessoas. O empreendimento inclui uma roda-gigante importada da China ao custo de R$ 10 milhões, lagos artificiais, museus, kartódromo, pista de skate, praça de alimentação e até gramado com custo de R$ 5,5 milhões.
Apesar do avanço da construção e da forte presença do governador nas fiscalizações — chegando a sofrer fraturas durante uma das visitas — o projeto tem sido alvo de críticas pela discrepância entre o investimento e a realidade social do estado.
De acordo com dados oficiais, 38% da população mato-grossense vive em vulnerabilidade social, totalizando cerca de 550 mil famílias. Em Várzea Grande, cidade vizinha à capital, mais da metade dos 300 mil habitantes vive nessa condição. O desemprego supera 20%, e 170 mil pessoas ainda não têm acesso a saneamento básico.
O parque, localizado a 11 km do centro de Cuiabá, também enfrenta críticas quanto à acessibilidade da população mais pobre. “Como famílias que mal conseguem garantir o básico para sobreviver vão conseguir frequentar um complexo que cobra R$ 10 só para andar na roda-gigante?”, questiona um morador de Várzea Grande.
Embora o governo prometa atrações gratuitas, haverá cobrança de taxa de manutenção para uso dos equipamentos. O valor, considerado simbólico para alguns, representa um gasto significativo para famílias que vivem com até dois salários mínimos e possuem vários filhos.















