A disputa interna no campo conservador de Mato Grosso ganha novos contornos com a articulação entre o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), e o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL). Ambos, expoentes do bolsonarismo no estado, estão descontentes com a postura do senador Wellington Fagundes (PL), considerada distante das pautas defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A insatisfação também mira a deputada estadual Janaína Riva (MDB), que articula uma possível candidatura ao Senado em 2026. Para Ferreira e Abílio, a parlamentar representa uma ameaça política não apenas pela sua força regional, mas também pelo campo ideológico em que está inserida. Eles apontam que o MDB em Mato Grosso tem se posicionado ao lado da esquerda, integrando alianças com partidos e lideranças progressistas, o que, na visão bolsonarista, distancia Janaína da agenda conservadora.
Ferreira e Abílio foram categóricos: não há possibilidade de aliança com Janaína Riva. Para os prefeitos, apoiar a emedebista significaria abrir mão da identidade bolsonarista do PL no estado e entregar espaço para um projeto político que identificam como vinculado à esquerda local.
Nos bastidores, a chamada “Cruzada Bolsonarista” se consolida como estratégia de defesa do espaço conservador. O grupo busca isolar Wellington Fagundes dentro do partido e, ao mesmo tempo, bloquear a ascensão de Janaína Riva, vista como representante da esquerda em um estado onde a base bolsonarista é numerosa e mobilizada.
A disputa evidencia que a eleição para o Senado em 2026 em Mato Grosso não será apenas uma batalha de nomes, mas um confronto direto entre projetos ideológicos: de um lado, o bolsonarismo organizado em torno de Ferreira e Abílio; do outro, a candidatura emedebista de Janaína Riva, amparada por setores que o PL rotula como aliados da esquerda.



















