A pouco mais de um ano para as eleições de 2026, o PL de Mato Grosso enfrenta um clima de divisão interna que tende a respingar em Brasília. No centro da disputa está o MDB, agora presidido no estado pela deputada Janaína Riva, pré-candidata ao Senado e nora do senador Wellington Fagundes, que articula sua pré-candidatura ao governo pelo partido liberal.
Enquanto Wellington mantém aberta a possibilidade de transformar a proximidade familiar em composição eleitoral, os prefeitos de Cuiabá e Rondonópolis, Abílio Brunini e Cláudio Ferreira, se posicionam firmemente contra qualquer aliança com o MDB. Ambos descartam apoiar Janaína e têm levado a posição à direção nacional. Nesta semana, em Brasília, durante encontro de prefeitos, Cláudio e Abílio reforçam junto às lideranças partidárias a rejeição a qualquer composição.
Prefeitos das duas maiores economias do estado, eles argumentam que o MDB apresenta instabilidade de posicionamento no Congresso e defendem que o Senado Federal é peça estratégica para consolidar “pautas conservadoras e de direita”. Os dois gestores apoiam a pré-candidatura do deputado federal José Medeiros ao Senado pelo PL e demonstram entusiasmo com a possibilidade de aliança com o governador Mauro Mendes, que cogita disputar uma das duas vagas disponíveis em 2026.

Outro ponto que pesa contra Janaína é sua atuação nas eleições municipais de 2024. A deputada fez forte oposição a candidatos do PL nas principais cidades de Mato Grosso, incluindo Cuiabá e Rondonópolis. Em Várzea Grande e Primavera do Leste, por exemplo, os liberais também venceram, com Flávia Moretti e Sérgio Machnic, respectivamente, em disputas marcadas por enfrentamento direto com o MDB.
Apesar das críticas, Janaína tem evitado confrontos públicos com os prefeitos. Para ela, uma aliança com o PL seria estratégica não apenas pela proximidade familiar, mas também como forma de atrair o eleitorado conservador e afastar o MDB do rótulo de partido de esquerda, fortalecendo sua imagem à direita no estado.
Já Wellington Fagundes adota cautela. Sem fechar portas para o MDB, afirma que as definições só ocorrerão em 2025 e que caberá à direção nacional dar a palavra final.
A decisão, no entanto, deve passar por uma figura central: o ex-presidente Jair Bolsonaro, que acompanha pessoalmente a escolha de candidatos ao Senado. O objetivo é ampliar a bancada conservadora na Casa, responsável por aprovar nomes de ministros de tribunais superiores e analisar eventuais pedidos de impeachment.





















