O mercado físico do boi gordo encerrou a semana em baixa nas principais praças pecuárias do Brasil, especialmente em São Paulo, refletindo o aumento da oferta de animais para abate e a desaceleração do consumo interno de carne bovina na segunda quinzena de maio.
Segundo análises divulgadas pelas consultorias Scot Consultoria e Safras & Mercado, o cenário atual favorece a atuação mais confortável dos frigoríficos nas negociações, permitindo tentativas de compra em patamares menores e pressionando parte das categorias bovinas.
Boi China e novilha registram queda em São Paulo
De acordo com o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo comum e da vaca permaneceram estáveis nas praças paulistas ao longo da sexta-feira (22). No entanto, a novilha teve desvalorização de R$ 3,00 por arroba, enquanto o chamado “boi China” recuou R$ 2,00 por arroba.
O avanço da oferta de animais terminados contribuiu para o alongamento das escalas de abate em São Paulo, que passaram a atender, em média, nove dias úteis.
A consultoria destaca que o comportamento mais lento das vendas de carne bovina no mercado doméstico também ampliou a pressão sobre os preços, principalmente diante da menor capacidade de consumo da população no fim do mês.
Mercado do boi também recua em Mato Grosso e Acre
Em Mato Grosso, o movimento de baixa continuou após os recuos registrados anteriormente em todas as regiões do estado. Nesta sexta-feira, a região Norte concentrou novas desvalorizações, com queda de R$ 3,00 por arroba tanto para o boi gordo quanto para a novilha.
As escalas de abate no estado variaram entre sete e dez dias, demonstrando maior conforto operacional para os frigoríficos.
No Acre, o mercado pecuário também apresentou pressão baixista. A cotação do boi gordo caiu R$ 2,00 por arroba, enquanto as fêmeas registraram recuo de R$ 3,00 por arroba.
Carne bovina perde competitividade no atacado
O mercado atacadista de carne bovina apresentou preços mais fracos ao longo da semana, acompanhando o menor ritmo de consumo interno.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a tendência é de continuidade do movimento de queda durante a segunda metade de maio, período tradicionalmente marcado pela descapitalização do consumidor.
Além da demanda mais enfraquecida, a carne bovina enfrenta perda de competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que mantém preços mais acessíveis ao consumidor brasileiro.
Na quinta-feira (21), o quarto traseiro bovino foi cotado a R$ 27,50 por quilo. O quarto dianteiro ficou em R$ 21,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha foi negociada a R$ 20,00 por quilo.
Exportações de carne bovina seguem aquecidas
Apesar da pressão no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne bovina continuam apresentando desempenho expressivo em maio.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 141,349 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada nos primeiros dez dias úteis do mês.
A receita obtida no período alcançou US$ 913,250 milhões, com média diária de US$ 91,325 milhões.
O volume médio diário embarcado cresceu 36,2% em comparação com maio de 2025, enquanto a receita média diária avançou 69,1%. O preço médio da tonelada exportada também apresentou valorização de 24,2%, chegando a US$ 10.381,10.
O forte ritmo das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do setor pecuário brasileiro em 2026, especialmente diante do cenário mais pressionado no consumo doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio



















