Trigo ganha firmeza no Sul e mercado recomenda cautela nas vendas diante de cenário ainda volátil

O mercado de trigo no Sul do Brasil iniciou maio com maior movimentação e sinais de firmeza nos preços, impulsionado por uma oferta mais ajustada em algumas regiões e pela atuação consistente de moinhos e exportadores. Ao mesmo tempo, analistas recomendam cautela nas vendas, diante de um cenário internacional ainda volátil e em fase de consolidação.

Levantamento da TF Agroeconômica indica que houve avanço nas negociações para entrega imediata, além do início de operações envolvendo a próxima safra. O ambiente combina liquidez regional com atenção redobrada às oscilações da Bolsa de Chicago e aos fundamentos globais.

Mercado regional mostra firmeza e liquidez

No Rio Grande do Sul, o mercado registrou diversos negócios ao longo da semana, incluindo operações para embarques em maio e junho. Os preços no interior giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada.

Para a safra nova, foram observadas negociações pontuais na faixa de R$ 1.250 por tonelada CIF porto e CIF moinhos, com cerca de 40 mil toneladas já comercializadas a futuro. No mercado de balcão, houve valorização relevante: em Panambi, a saca subiu 5,15%, passando de R$ 59,00 para R$ 62,04, refletindo a restrição de oferta.

Em Santa Catarina, o mercado segue abastecido principalmente por trigo de outros estados, como Rio Grande do Sul e Paraná. Ainda assim, as pedidas apresentaram alta generalizada, com o trigo local próximo de R$ 1.300 por tonelada FOB.

Os preços ao produtor variaram conforme a região. Houve alta em praças como Canoinhas e Chapecó, ambas a R$ 64,00 por saca, enquanto outras localidades mantiveram estabilidade.

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No Paraná, o cenário foi de estabilidade nos preços, mas com bom volume de negócios. Na região central, as cotações variaram entre R$ 1.330 e R$ 1.350 por tonelada FOB. No Norte, os valores ficaram entre R$ 1.380 e R$ 1.400, enquanto Oeste e Sudoeste registraram ofertas próximas de R$ 1.350.

Também houve fluxo interestadual, com trigo paranaense sendo comercializado para o Rio Grande do Sul. Para moinhos, as indicações CIF oscilaram entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada.

No mercado externo, o trigo argentino segue como principal referência de importação, com negócios ao redor de US$ 280 por tonelada nacionalizada em Paranaguá.

Estratégia indica disciplina nas vendas

Apesar da firmeza regional, o momento exige cautela. Segundo análise da TF Agroeconômica, produtores devem evitar vendas agressivas neste momento e adotar uma estratégia mais disciplinada.

Após uma sequência de altas, o mercado entrou em um movimento lateral em Chicago, testando a capacidade de sustentar novos avanços. Nesse contexto, a recomendação é aproveitar momentos de valorização — especialmente na faixa de 620 a 630 cents por bushel para o contrato de julho de 2026 — para realizar vendas parciais.

A estratégia sugerida envolve escalonar as negociações:

  • 30% do volume vendido para aproveitar altas recentes
  • 30% negociado em novos picos de preço
  • 40% mantido para capturar possíveis valorizações futuras
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Essa abordagem reduz riscos e evita a concentração de decisões em um único momento de mercado.

Fundamentos globais sustentam viés altista

No curto prazo, o mercado internacional apresenta comportamento lateral. Já no médio prazo, o viés segue positivo, sustentado por fatores como:

  • Condições adversas do trigo de inverno nos Estados Unidos
  • Falta de umidade nas Grandes Planícies americanas
  • Exportações aquecidas dos EUA
  • Redução de área plantada na Argentina

No longo prazo, a tendência é de alta moderada, influenciada por estoques mais ajustados e menor expansão de área global.

Fatores de risco no radar

Apesar do cenário construtivo, há elementos que limitam avanços mais consistentes. Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Realização de lucros após altas recentes
  • Trigo americano mais caro que concorrentes
  • Aumento das exportações da Rússia
  • Restrições de importação em mercados relevantes, como a Indonésia

Além disso, uma eventual queda abaixo de 590 cents por bushel em Chicago pode sinalizar enfraquecimento técnico.

Perspectivas

Para os próximos dias, o mercado deve monitorar fatores-chave, como o clima nas regiões produtoras dos Estados Unidos, o comportamento do dólar e o ritmo das exportações globais.

A recomendação predominante é clara: manter disciplina, vender em partes e acompanhar o mercado com atenção. Em um ambiente de transição, a gestão estratégica da comercialização será determinante para capturar oportunidades e mitigar riscos no mercado de trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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