Na quinta-feira (12/02), o auditório da Câmara Municipal de Rondonópolis recebeu o lançamento da cartilha Descomplicando a Comunicação, assinada pela jornalista, consultora e palestrante Débora Camila. O evento contou com a presença da vereadora Kalynka Meireles (PL), do coordenador do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso, Lawrenberg Advincula, e de representantes do Instituto Louis Braille de Rondonópolis.
A obra foi construída com base nas experiências vividas pela própria autora e em relatos de outras pessoas com deficiência. O material teve origem após a perda da visão e durante o processo de reabilitação, período em que ela redescobriu autonomia, pertencimento e a certeza de que a deficiência não impedia uma vida ativa, produtiva e cheia de possibilidades.
Ao conquistar autonomia dentro da cegueira, especialmente no ambiente educacional e universitário, Débora percebeu que muitas barreiras não estavam apenas na estrutura física, mas na forma como as informações eram transmitidas. Para ela, a comunicação clara e acessível poderia transformar realidades e ampliar o pertencimento.
“Quando a acessibilidade não chega, porque a acessibilidade plena ainda é um desafio, a comunicação eficaz possibilita pertencimento. Foi nas interações do dia a dia, ao perceber dificuldades de compreensão ou de transmissão de informações, que comecei a pensar a comunicação dentro de todos os espaços”, relata.
Com a cartilha, a proposta é justamente transformar empatia em prática, especialmente nos ambientes onde a inclusão precisa deixar de ser discurso e se tornar ação concreta.
Educação como ponto de partida
O público-alvo principal da cartilha são profissionais da educação, em especial professores e equipes do Atendimento Educacional Especializado. Débora destaca que o número de estudantes com deficiência nas escolas aumenta a cada ano, e a inclusão precisa começar desde a educação infantil.
“A criança com deficiência precisa ser vista como um futuro profissional. Para que isso aconteça, é essencial que a comunicação entre educador e aluno seja efetiva”, afirma.
A proposta também alcança o comércio e outros espaços sociais de Rondonópolis, reforçando a importância de garantir autonomia e pertencimento para que pessoas com deficiência ocupem todos os ambientes da cidade.
Protagonismo como objetivo
A autora prefere não se definir como militante ou ativista. Ela se apresenta como alguém que atua com protagonismo dentro da deficiência, ocupando espaços a partir do conhecimento.
Com a cartilha, ela espera provocar mudanças reais no cotidiano. O desejo é ver mais pessoas com deficiência atuando nas áreas educacional, cultural, social e profissional, com autonomia e reconhecimento de suas capacidades.
“Quero que essas pessoas se desenvolvam e ocupem espaços com protagonismo”, reforça.
Próximos passos
Além da cartilha, a jornalista pretende continuar publicando artigos e, no futuro, escrever uma biografia. Seu trabalho no jornalismo é voltado a dar visibilidade às capacidades das pessoas com deficiência, destacando atuações no esporte, no mercado de trabalho e na vida social.
Ao deixar uma mensagem aos leitores, Débora resume a essência da obra.
“Que o profissional deguste o conteúdo e desenvolva a empatia com conhecimento. A empatia com conhecimento é eficaz na vida da pessoa com deficiência.”
A cartilha se apresenta, assim, como um instrumento prático para transformar discurso em ação e tornar a inclusão uma realidade possível no dia a dia.




















