DEMARCAÇÃO SUSPENSA

STF interrompe demarcação de terra indígena em Mato Grosso por falta de indenização a proprietários

Decisão liminar aponta falha no processo e reforça que pagamento prévio é requisito constitucional
Foto: Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal suspendeu a demarcação de uma terra indígena em Mato Grosso após identificar a ausência de indenização aos proprietários rurais atingidos pelo processo. A decisão, de caráter liminar, foi assinada pelo André Mendonça e interrompe os efeitos do decreto presidencial que homologava a área.

O caso envolve imóveis rurais com títulos registrados antes da Constituição de 1988. Para o relator, a demarcação não pode avançar sem que haja compensação financeira prévia e justa aos donos das terras, o que, segundo a decisão, não ocorreu. O entendimento é de que a falta de indenização viola o direito de propriedade e compromete a segurança jurídica.

Na prática, a medida não anula definitivamente a demarcação, mas a paralisa até que a União cumpra as exigências legais. O STF ressaltou que, quando há título válido anterior à Constituição, a indenização deve incluir não apenas benfeitorias, mas também o valor da terra, especialmente quando não há possibilidade de reassentamento dos proprietários.

A decisão reacende um debate sensível em Mato Grosso, estado que concentra conflitos históricos entre a expansão do agronegócio e a garantia de direitos territoriais dos povos indígenas. Embora o Supremo já tenha afastado limitações como a tese do marco temporal, o caso reforça que cada processo de demarcação precisa observar rigorosamente os trâmites constitucionais.

Leia Também:  Corpo de Bombeiros combate incêndio em residência

Especialistas avaliam que o posicionamento do STF pode influenciar outras demarcações em andamento no país, sobretudo em regiões onde há sobreposição entre áreas reivindicadas por comunidades indígenas e propriedades privadas consolidadas há décadas.

Enquanto isso, o processo segue em análise e a demarcação permanece suspensa até nova deliberação ou cumprimento das exigências apontadas pela Corte. O tema segue no radar de produtores rurais, lideranças indígenas e do próprio governo federal, que terá de ajustar os procedimentos para evitar novos impasses jurídicos.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade