DIA MUNDIAL DOS ANIMAIS

No Dia Mundial dos Animais, conheça Zion, o cão farejador da PRF que ajuda a combater o crime em Rondonópolis

Folha Estado mostra a rotina de Zion, cão que atua na detecção de drogas e armas e é considerado parte da família por seus cuidadores
Canil PRF K9 Zion Foto: Bruni Rodrigues
K9 Zion Foto: Bruni Rodrigues

O “Dia do Cão”, celebrado em 4 de outubro, é na verdade o Dia Mundial dos Animais. A data, inspirada em São Francisco de Assis, padroeiro dos animais, foi criada para homenagear todas as espécies, mas acabou se popularizando no Brasil especialmente entre os cães, por conta das campanhas de proteção animal e de adoção responsável.

Para marcar a data, a equipe do Folha Estado acompanhou de perto a rotina de K9 Zion, o cão farejador que atua no posto 201 da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Rondonópolis-MT, e que diariamente participa de operações de busca e apreensão de drogas e armas. O policial da PRF Xavier Costa, um dos responsáveis pelo animal, explica como funciona o treinamento e a atuação do parceiro de farda.

PRF Xavier Costa e K9 Zion Foto: Bruni Rodrigues

Antes de se tornar um cão operacional, Zion passa por treinamento no canil central da PRF, em Brasília -DF. O policial designado para cuidar dele também recebe formação específica. “A doutrina cinotécnica da PRF se divide em dois cursos: o Curso de Cinotecnia Policial (CCP), que habilita o policial a manejar o cão, e o COCF, que é o Curso de Operadores de Cães de Faro, permitindo a condução em operações de detecção de drogas, armas e munições”, detalha Xavier.

No dia a dia, Zion mantém uma rotina intensa de treinos semanais. Ele é exposto a diferentes cenários, como veículos de passeio e de carga, para manter o faro apurado. Além disso, recebe atividades voltadas ao bem-estar e relaxamento. “Temos os momentos de descompressão, como a brincadeira de buscar a bolinha. Isso ajuda a controlar a ansiedade e a manter o cão equilibrado”, acrescenta Xavier.

Mas a vida de Zion não é só farejar drogas. O cão também tem sua rotina de lazer, como explica o PRF Etvaldo também um dos reesposáveis pelo animal.
“Diariamente, nós temos uma pessoa responsável, o Sr Odair Todos os dias, ao chegar, ele passeia bastante, brinca com o Zion e dá atenção. Fora isso, mesmo durante o trabalho, sempre buscamos tirá-lo do ambiente da PRF, levando para locais como campos de futebol, que são espaços de descontração para ele.” conta Etvaldo.

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O tratador Odair completa:
“Levo o Zion para passear toda manhã, logo cedo, até uma placa na BR. Voltamos antes do sol ficar muito forte para não queimar as patinhas no asfalto. Depois dou banho e sigo cuidando dele. É uma rotina de cuidado e carinho que faz parte do nosso dia a dia.”

Thor e PRF Etvaldo Foto: Arquivo Pessoal

Zion também tem a companhia de Thor, outro cão que divide com ele o canil da PRF e a atenção dos cuidadores. Diferente de Zion, Thor não é treinado para o faro, mas esbanja inteligência e esperteza. Carismático, ele costuma participar de eventos da corporação, onde chama a atenção pela beleza e simpatia, além de compartilhar momentos de brincadeiras e diversão ao lado do parceiro farejador e dos seus operadores.

O cão tem se destacado no atual cenário de Mato Grosso, onde o posto da PRF 201 em Rondonópolis-MT tem apreendido grande quantidade de entorpecentes. Segundo o delegado responsável pelo posto 201 da Polícia Rodoviária Federal em Rondonópolis, Zion já participou de apreensões que ultrapassam 3,1 toneladas de drogas, incluindo cocaína, crack, maconha e skunk. O faro de Zion já levou a grandes apreensões. O policial Etvaldo relembra  uma operação, em que o cão detectou drogas escondidas em latas de tinta totalmente vedadas e, em outra, localizou entorpecentes dentro de um botijão de gás preparado para disfarçar o transporte ilegal. . Com seu faro aguçado, o cão já localizou diversos materiais ilícitos, mesmo em situações bastante desafiadoras, como explica o policial federal.

K9 Zion atuando na busca de materiais ilícitos. Foto: Bruni Rodrigues

“Zion detectou drogas em latas de tinta e massa corrida, que foram enviadas do interior de Mato Grosso para Rondonópolis. Eram 12 latas totalmente vedadas, mesmo assim o cão indicou positivamente a presença de entorpecentes. Nessa ocorrência, conseguimos apreender cerca de 60 quilos de skunk. Em outra ação, quase no dia seguinte, o entorpecente estava escondido dentro de um botijão de gás, todo preparado para dificultar a detecção. Mesmo assim, o Zion conseguiu localizar”, conta.

Apesar da crença popular, cães farejadores não têm contato direto com drogas ou armas e não são viciados como muita gente imagina. Eles são treinados para identificar as moléculas de odor liberadas pelas substâncias.

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“O princípio é simples: toda substância, orgânica ou inorgânica, libera moléculas de odor no ambiente. O cão é treinado para reconhecer esse cheiro específico. Funciona como quando sentimos o cheiro de um churrasco: mesmo sem ver a carne, sabemos que ela está lá, porque as moléculas chegaram ao nosso olfato. No caso do Zion, ele é condicionado a associar o odor da droga a uma recompensa. Toda vez que identifica o cheiro, ele senta e recebe um brinquedo como prêmio. Esse condicionamento é a base do trabalho dos cães farejadores, seja na detecção de drogas, armas, explosivos ou até pessoas. É sempre assim: encontrou o odor, ganhou a recompensa.” Explica Xavier.

PRF Etvaldo Alves e Zion  Foto: Bruni Rodrigues

Considerado parte da família, Zion recebe carinho e mantém vínculos especiais com seus operadores e com o tratador. “O cão, para mim, chega a ser como um filho. Recentemente, nós perdemos o Rango, que estava conosco havia oito anos e acabou desenvolvendo um tumor. Foi uma perda muito significativa. Felizmente, recebemos o Zion, que veio para suprir essa ausência e já ocupa um espaço enorme em nossas vidas. A relação é realmente de pai e filho. Mesmo quando não estamos trabalhando, pensamos nele, sabemos que está sendo bem cuidado pelo tratador e, quando necessário, os colegas também ajudam, alimentam e nos dão feedback sobre como ele está”, explica o PRF Etvaldo.

“A nossa rotina é muito bonita, a gente se dá muito bem. Eu gosto de trabalhar com ele, brinco, faço carinho, abraço… e ele fica muito feliz”, conta o tratador Odair.

Thor Foto: Bruni Rodrigues

Com faro aguçado e uma relação de confiança com seus cuidadores, Zion se destaca como um dos principais cães farejadores. Para a PRF, ele é mais que um parceiro operacional: é um companheiro que simboliza a dedicação e o vínculo entre humanos e animais. A história de Zion e de seu parceiro Thor reforça a importância dos animais no apoio às forças de segurança e também no convívio humano. Eles representam dedicação, inteligência e afeto, mostrando que a relação entre homens e cães vai muito além do trabalho: é parceria, confiança e companheirismo que fazem a diferença todos os dias.

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